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O protesto de hoje-O meu

por Faust Von Goethe, em 13.10.12

 

O meu protesto de hoje consistiu em trocar as ruas [de Coimbra] pelos corredores de um supermercado para ajudar o Gaspar e a [sua querida] finança. Há que contrariar as [últimas] estatísticas que revelam uma forte contração no consumo.

Para o devido efeito, achei por bem protestar, consumindo. Porque ao consumir dou lucro aos patrões, dou trabalho a uns quantos empregados. Porque encontrando-me dentro de uma grande superfície, não me encontro na rua corromper a democracia. La Palisse se fosse vivo diria o mesmo.

E assim foi. Troquei assim as manifestações multiculturais e os gritos de ordem pelo consumismo [minimalista]. Gastei mais de 30 euros para trazer menos de 10 unidades/produtos, entre as quais 1 desodorizante-Axe Dry Anarchy

Julgo ser este o melhor repelente que devo usar quando sinto que me estão a ir ao bolso das mais variadas formas. Percebam o porquê na promo abaixo:

 

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publicado às 21:40

Interesse público como desculpa

por Antero Neves, em 13.10.12

Numa semana em que se ficou a conhecer que a UNESCO tolera a construção da Barragem do Tua muitos se levantaram afirmando que esta organização atropelou o interesse público e apenas fez um favor ao poder económico. Outra machadada no interesse público tinha-se verificado no início da semana anterior quando o tribunal de Mirandela recusou esse motivo para a saída do helicóptero do INEM da cidade de Macedo de Cavaleiros. Estes são dois casos em que o interesse público, o interesse na Nação, foi espezinhado e abandonado. E eu digo: que bom!

A expressão interesse público sempre me fez comichão. Como é que se avalia o interesse público no caso de um helicóptero que pode salvar uma vida? Como é que alguém que está em Lisboa/Porto/Faro consegue avaliar o interesse público que as pessoas em Trás-os-Montes (diretamente afetadas) têm numa barragem que lhes vai dar água e electricidade em vez de lhes permitir gozar da companhia de alguns turistas que, uma vez por ano, decidem deslizar de comboio até à região? A verdade é que o interesse público não passa de uma desculpa para defender o interesse de um grupo particular, uma desculpa que procura passar a ideia de que quem é contra é anti-patriota, é um cidadão inferior, é um traidor.

Um dia, um visionário projetou uma barragem para bem do interesse público, a barragem foi construída e hoje, para bem do interesse público, abastece para rega o concelho de Macedo de Cavaleiros, serve de habitat para várias aves migratórias e tem duas praias - uma delas foi considerada uma das 7 praias-maravilha de Portugal - que, para bem do interesse público, chamam turistas e serve os habitantes do Nordeste Transmontano. Aquando do 25 de Abril de 1974, este homem - Eng. Camilo Mendonça - teve de deixar Portugal e "exilou-se voluntariamente" no Brasil, a bem do interesse público...

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publicado às 13:32

Políticos e o seu problema semântico.

por Balhau, em 13.10.12

Em Governo promete tentar gravar greve em sectores estratégicos  somos presenteados com algumas informações curiosas dentro das quais destaco a seguinte:

 

---Begin Quote--- O líder parlamentar do CDS questionou o primeiro-ministro se está disponível, caso se agudize a situação nos portos, "a utilizar todos os mecanismos legais e constitucionais para que Portugal e os portugueses não possam ser prejudicados por os interesses, ainda que legítimos, de apenas alguns".

---End Quote ---

 

Tomemos atenção à frase que se encontra dentro de áspas. A meu ver esta é verdadeiramente deliciosa. Segundo o representante do CDS a proposta é, então, a de analisar a lei para assegurar que o interesse de Portugal e dos portugueses não sejam prejudicados pelos interesses, ainda legítimos, de apenas alguns. Eu acho esta frase deliciosa porque é extremamente hábil a deturpar a realidade. Em primeiro lugar não se tratam de somente de interesses. O senhor do CDS deve ter um ligeiro problema de interpretação de realidade mas o que está em causa não é uma questão meramente de interesses mas antes uma defesa de direitos e portanto enquadram-se no artigo 21 da constituição:

 

"Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repe- lir pela força qualquer agressão, quando não seja pos- sível recorrer à autoridade pública."

 

E o mais interessante é que o digno senhor do CDS nem sequer nega a legitimidade. Faz simplesmente uma troca manhosa de semântica e utiliza o relaxado termo "interesse" ao invés do "direito de resistência". Como se isto não bastasse tenta passar para a opinião pública que esta manifestação, garantida pela constituição, afecta o interesse nacional. Aqui, mais uma vez, uma questão hábil de semântica. É evidente que qualquer manifestação popular, qualquer greve, ou outro movimento que revele indignação e se traduza num manifesto movimento popular não trás quaisquer vantagens nem é do interesse directo dos restantes portugueses. Agora devo lembrar ao senhor do CDS que não tem, neste caso, o direito de invocar o interesse nacional como argumento válido a hastear numa bandeira. E a razão pela qual não o pode fazer é simples. Eu como muitos outros portugueses somos solidários com os movimentos populares dos trabalhadores dos portos. Eu como muitos outros portugueses acham que é do interesse nacional defender a soberania dos portos mantendo estes sob a tutela pública. Eu como muitos outros portugueses somos manifestamente contra as políticas selvagens de privatização sustentadas no mito da maior competência privada. E portanto, e em suma, eu e muitos outros achamos que é do interesse nacional que a voz destes manifestantes seja devidamente ouvida. É também do interesse nacional que este tipo de manhosice intelectual deixe de afrontar a constituição.

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publicado às 11:24




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