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Portugal e o tabu dos comes e bebes...

por John Wolf, em 02.11.12

  

Sou um voyeur de insignificâncias. Mas tudo somado pode ser que seja uma pechincha. Consumo pequenas observações e vejo repetidamente o mesmo filme. Durante anos a fio ninguém contou os trocos dos cafézinhos. A bica para acordar mesmo antes de pegar o serviço, o cafezinho a meio da manhã num intervalo inventado entre duas partes laborais inexistentes, o café antes do almoço e já agora que estou na rua (epá o relógio já marca uma hora!), vou mas é encher o bucho e venha de lá mais um café... com a conta por favor. Pois. Há qualquer coisa que não bate certo. Com o caneco - é loiça a mais. Ora façamos contas por baixo, para não dizerem que exagero, que sou bom economista. São 3 cafés diários. De acordo? 3 vezes €0.50 (cinquenta cêntimos...estou novamente a nivelar por baixo) o que perfaz uma diária de €1,50 (um euro e meio). Um ano de cafeína 365 vezes €1,50 = €547.5 (quinhentos e quarenta e sete euros e cinquenta cêntimos). Agora juntem um maço de tabaco por semana. (um maço de tabaco por semana? esse gajo está doido...fumo muito menos!). Vou fixar o preço do maço de Mauboro nos €3,50 (três euros e cinquenta cêntimos). Ora quantas semanas são? 52? É isso. 52 vezes €3,50 = €182 (cento e oitenta e dois euros). Ok. Já estamos a falar de dinheiro. De graveto de verdade. Tudo somado dá uma renda e meia, um salário. Face a esta constatação restará encontrar um regime alternativo. A cafeteira de escritório comparticipada (ou não) pelo trabalhador em regime de parceria privada-privada. Mas ainda não falei de outro tabu. Porque razão os Portugueses ainda têm vergonha do saco da merenda trazido de casa? Porque razão não vemos a sande caseira retirada da mala onde também está o Ipad? Nos outros países os executivos sentam-se no passeio, na entrada da sede e mordiscam a bifana sem pudor. Por vezes a gravata fica com nódoas que nunca mais saiem. Que chatice. Mas esse é o preço a pagar.

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publicado às 12:05


2 comentários

De P a 03.11.2012 às 10:06

Em 1930, segundo Filomena Mónica, a taxa de analfabetismo em Portugal era de oitenta por cento. Hoje tudo fala à tia, tudo pretende ter origem aristocrática. O que não teria tanto mal se a pequena burguesia portuguesa recém promovida não achasse que a tal pretensa origem não só dê direito a humilhar os outros como seja imperioso o exercício dessa humilhação. Mas isto está datado. Acabou. É hora de voltar às origens: o pardieiro já não é solar e o lameiro já não é herdade. Tudo que resta é mesmo a substituição de leite por lâite. Agora brinquem aos fidalgos arruinados. Pode ser que console.

De John Wolf a 08.11.2012 às 11:29

Viva P, o seu comentário é muito pertinente. A dimensão qualitativa da sociedade tem de ser analisada, Os comportamentos, os tiques e vícios que contribuíram também para o descalabro. Regressar às origens de um modo digno, sem preconceitos, sem desejar ser "mais" que o próximo. Muito obrigado por contribuir para o caldeirão de ideias que se exige.
Com estima,
John

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