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Ulrich e os sem-abrigo escurinhos

por Antero Neves, em 01.02.13

A primeira frase que escrevi quando comecei a redigir este texto foi apagada, e foi-o porque me soou tão familiar que resolvi substituí-la pela original, que será, com certeza, melhor que a minha. A frase é esta:

 

I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character.

 

e é adequada porque os acontecimentos desta semana serviram para me convencer que vivo num país em que o que nos sai da boca não é avaliado pela veracidade ou realismo das nossas palavras, mas pela conta bancária, posição social ou quadrante político.


Um pais em que se desculpa o racismo e se condena a constatação de que somos todos iguais.

 

Se não for assim, como se explica que na Assembleia da República se indignem por alguém simplesmente se conformar com o facto de que se uns suportam viver nas ruas os outros também o suportariam, enquanto que insultos como "rei-mago escurinho" passam impunes?

 

Querem condenar? Então condenem mas sejam coerentes.

 

Já agora, aproveito outra expressão: se eu aguento mais hipocrisia? Ai aguento, aguento! Sei que vou ter de aguentar porque eles não mudam.

 

 

Quo vadis societatis?

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publicado às 19:39

Terapia de choque.

por Faust Von Goethe, em 15.11.12

Ontem vi a carga policial em directo. Estava por casa a corrigir testes ao mesmo tempo disfrutava do conforto do lar. Mesmo assim, o que triste "espectáculo" que presenciei causou-me um certo desconforto e urticária.

Desde logo achei estranho estarem miúdos a atirar pedras da calçada (eram miúdos e não manifestantes estrangeiros como a SIC Notícias tentou vender-Erasmus, no pior dos casos(?!)) assim como achei que a carga policial aplicada foi desproporcional para a situação em si.
Pelo número de manifestantes e pelas possibilidades de fuga (ou subiam em direcção ao largo do rato-mais difícil, pois a subida é íngreme), ou desciam pela Av. D. Carlos I ou pela rua da Estrela.

Pelo número de manifestantes e pelo perímetro circundante à Assembleia da República, o corpo policial poderia muito bem ter cercado os manifestantes travando qualquer hipótese de fuga pelos autores dos desacatos. Não só não fez como decidiu partir para a via mais fácil, a de pegar no bastão e partir para a agressão às cegas.

O curioso no meio disto tudo é que todo este aparato deu-se minutos antes de Arménio Carlos fazer uma declaração ao país. Estávamos portanto [quase] na hora dos telejornais. Minutos mais tarde à declaração de Arménio Carlos, Miguel Macedo veio prontamente para as televisões tentar explicar o inexplicável-a brutal carga policial, já condenada pela Amnistia Internacional.

Não sei se a carga policial tinha como objectivo o de branquear o que se passou em termos de adesão à greve geral. Se o foi, demonstra cobardia por parte daqueles que nos governam, daqueles que têm medo de enfrentar o povo, daqueles que o recusam ouvir.
Na minha óptica, os acontecimentos de ontem em frente e nas imediações da Assembleia da República não passam de uma mera terapia de choque, aquela que Naomi Klein popularizou no seu livro "A Doutrina de Choque". Como poderão constatar no vídeo abaixo-documentário ao livro de Naomi Klein-todas as manifestações [aparentemente] desordeiras funcionaram sempre como óptimos bodes expiatórios contra o descontentamento popular. Para os governos, estas foram sempre os alibis perfeitos para a implementação das suas políticas económicas.

É caso para dizer que qualquer semelhança com algum destes casos documentados no vídeo abaixo com o que vem a acontecer desde 15 Setembro para cá, é mera coincidência.

 

Leitura Complementar: O que a violência não pode esconder por Daniel Oliveira em Arrastão.

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publicado às 16:28




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