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Fazer contas à vida-Finjamos que não lemos o relatório do FMI!

por Faust Von Goethe, em 10.01.13

Suponhamos que somos gerentes de um estabelecimento comercial que tem uma dívida de 43800 euros aos vários fornecedores. Descontando as despesas que temos mensalmente com os nossos funcionários, assumamos que o lucro anual ronda os 36500 euros.

Como estamos empenhados em cumprir com os nossos compromissos, de forma a garantir que os nossos fornecedores nos continuem a fornecer, decidimos pagar parte da dívida anexada aos lucros diários, dando uma média de 100 euros de lucro/dia para abater aos 120 euros/dia em dívida. Isto é, a dívida que temos com os nossos fornecedores é cerca de 120% do lucro que produzimos, isto é, mesmo cumprindo com os fornecedores, ficamos com 7300 euros de dívida a juntar à dívida que vamos pagar durante o próximo ano.

Assumindo que no próximo ano, os nossos lucros se manterão constantes, teremos de abater uma dívida de  51100 euros (43800 deste ano + 7300 euros em dívida do ano transacto) face aos 36500 euros de lucro, teremos de pagar aos nossos fornecedores não 120 euros/dia mas 140 euros/dia. Em termos percentuais, a dívida que temos com os nossos fornecedores passará dos 120% para os 140%-40 euros/dia de dívida acumulada.

Para evitar esta espiral de dívida, uma solução que nós, gerentes, faríamos passaria ou por despedir pelo menos um funcionário, ou por reduzir o salário a todos os funcionários do estabelecimento.

E se agora tentássemos transladar a realidade deste [nosso] estabelecimento comercial para a realidade portuguesa, cuja dívida ronda os 120% da riqueza produzida a.k.a PIB? Funcionaria? 
Pelos vistos não, pois esta tem sido a política a que os nossos credores nos obrigam desde que aterraram na Portela em Maio 2011. 

 

(continua ...)

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publicado às 19:58

Recapitalização do Banif é um mero jogo de Poker.

por Faust Von Goethe, em 07.01.13

O dinheiro entra por um lado, sai por outro, volta à casa e o Banif é salvo

 

Acrescento algumas observações à explicação lógica e sucinta de Maria Teixeira Alves em Corta-Fitas:

  • o processo de recapitalização do Banif não passa de um mero jogo de Poker por parte do estado que, ao entrar no capital do Banif "compra a sua própria dívida".
  • Não obstante de não haver qualquer prejuízo para o Banif,  clientes e estado, o acesso ao crédito será porventura escasso pois ao comprar dívida pública para garantir os colaterais junto do BCE, tornar-se-à mais dificilmente conseguirá refinanciar-se através de empréstimos interbancários nos mercados. Ou seja, há probabilidades de o estado ter de voltar a "amolfadar" o Banif, caso seja necessário. 

Em suma, é bom que o Banif "ajude" Portugal a regressar mercados já este ano. Aí sim, poderemos dizer que foi um bom negócio para o estado, que pode continuar a lucrar com as desgraças do Banif-até 2017 (?!)-, à medida que vai baixando a sua dívida pública.

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publicado às 14:12

Vítor Bento, um conselheiro de estado que já nem sabe o que dizer!

por Faust Von Goethe, em 17.10.12

No artigo "parar para pensar" publicado [hoje] no Diário Económico, o conselheiro de estado Vítor Bento tentou levantar um pouco mais de poeira em torno das mexidas na TSU (desvalorização fiscal), das quais destaco as seguintes permissas:

"Valia a pena discutir a descida da TSU, sem compensação, ou com uma compensação muito parcial. Isso abriria um buraco orçamental, mas se se acreditar que a acção impulsiona a economia, o seu resultado acabará por tapar o buraco ao fim de algum tempo(...)

É claro que isso precisa de mais financiamento e mais dívida, tornando mais difícil a sustentabilidade financeira. Mas esta também não se consegue com o desemprego a caminho dos 20%"

Quem se andou a divertir a estudar a hipótese de uma eventual desvalorização fiscal-como foi o meu caso-sabe que a única hipótese para compensar a subida da TSU aos trabalhadores, passaria por um aumento gradual do IVA. Esta hipótese é de descartar, pois ao contrário do OE 2012, o OE 2013 não prevê um agravamento do IVA do lado da receita. 

Vítor Bento, mesmo sabendo que a dívida pública da República Portuguesa ronda os 120% do PIB, insiste na hipótese de nos endividarmos ainda mais, isto é, aumentarmos ainda mais, em percentagem do PIB, a nossa dívida pública como forma de compensar a descida da TSU às empresas.

Depois de ler o que Vítor Bento escreveu, apetecia-me perguntar-lhe o seguinte:

"Será que o senhor (Vítor Bento) conhece o(s) estudo(s) empírico(s) de , que atestam de forma empírica a máxima "Too Much Debt Means the Economy Can’t Grow"?

 

Leituras Complementares:


#1
Fiscal devaluation as a cure for Eurozone ills – Could it work?

#2 Um orçamento que não se pode executar

 

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publicado às 20:01




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