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Desmitos sobre a "renegociação" do empréstimo a Portugal.

por Faust Von Goethe, em 22.01.13

O alargamento dos prazos de pagamento de Portugal [e Irlanda] (re)negociados ontem na reunião do eurogrupo insere-se no princípio de igualdade de tratamento entre os diversos estados membros-como referiu há tempos atrás o presidente cessante do eurogrupo Jean-Claude Junker.

Alguns pormenores a ter em conta, em especial para os leigos que já ouviram o chavões reestruturação e/ou renegociação [da dívida]:

  • Ao contrário da dívida aos parceiros da troika, a dívida ao FMI não pode ser nem renegociada nem reestruturada
  • A haver uma reestruturação ou renegociação dos prazos/maturidades da dívida, os países membros -como Portugal e Irlanda-ou terão de envolver o "sector oficial" (OSI) via união bancária, e/ou terão de procurar credores privados seguindo os trâmites da iniciativa de Viena 2.0.
  • A actual estratégia delineada pelo Eurogrupo já está a preparar terreno para que, num futuro próximo, os países que necessitem de assistência financeira deixem de pedir ajuda ao FMI e passem a pedir directamente ao FEEF (Fundo Europeu de Estabilidade Financeira) e/ou ao futuro MEEF (Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira).
  • A ida antecipada de Portugal aos mercados é em grande parte motivada pelas razões que supramencionei acima.

 

Bom, agora que já estamos prestes a regressar aos mercados talvez não fosse má ideia ponderar seriamente fazer um "corte de cabelo".

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publicado às 14:54

O(s) dilema(s) da Zona Euro

por Faust Von Goethe, em 02.11.12

 

O problema da zona euro não é de agora.  Já vem de 2001, por altura da adesão da China à Organização Mundial do Comércio.

Com esta abertura do comércio a nível global-ao qual se juntou recentemente a Rússia-abriu as portas a um descontrolo a nível global sem precedentes na história.

O resultado desta desregulação está à vista. O facto de países como a China competirem com o resto do mundo em termos de mão de obra, materiais e ajudas do estado contribuiram para a deslocalização de empresas de países europeus, causa essa que explica em grande parte os valores alarmantes de desemprego na zona euro.

Engane-se portanto quem disser que a crise da zona euro não belisca em nada o governo de Berlim. Muito pelo contrário. Mas resolver parte do problema implica uma mudança de profunda do paradigma por parte da [economia] Alemã, que para além de ser a economia mais competitiva dentro da zona euro, é aquela que tem um maior número de relações comerciais com a China. 
Acresce que, ao contrário do que se noticia em grande parte da imprensa, a banca alemã está profundamente debilitada, por ter emprestado dinheiro a países como Espanha antes do estalar da crise dos subprimes. Esta última "crise" veio apenas contribuir para que este problema se agravasse em larga escala.

Todos sabiam portanto que havia sérios riscos de falência a nível global. Só não sabiam o quanto essa falência poderia por em causa o “estado social”.  Esta é uma entre várias razões porque a Alemanha nunca irá aceitar fazer parte de reestruturações de dívidas a países intervencionados como Portugal e Grécia mas estará disponível para recapitalizar, se necessário, a banca Irlandesa [e até mesmo a banca espanhola]. Eventuais perdões de dívida poderiam conduzir a uma falência de todos os bancos centrais a nível europeu.
O dilema alemão é no fundo o dilema de todos os países da zona euro. E este dilema passa por decidir se estamos dispostos para pagar o preço da ganância, movido em grande parte por hedgefunds e pelo desperdício de recursos da banca europeia para subsidiar a criação de filiais de grandes empresas europeias em países fora da Europa.   

De nada nos vale dizer que o problema é apenas de quem nos governa actualmente. Se fizermos um flashback de 20 anos-altura em que foi assinado o tratado de Maastrich- chegamos à conclusão de que se a nível europeu as coisas tivessem sido encaminhadas numa outra direcção, provavelmente nunca teríamos chegado a este ponto. Mas isso agora é o que menos interessa.
Só há portanto uma via. E essa via passa por se resolver em conjunto este problema. Para isso, políticos, banqueiros e afins terão de assumir as culpas e tentar resolver os problemas no seio da união monetária. O primeiro passo de uma longa caminhada será dado com o início da união bancária.


Adenda: A saída dos periféricos da zona euro custará, em média, 21000 euros a cada alemão. E na situação actual, eles terão [mesmo] de se esforçar. Caso contrário, os fundos de pensão da banca e outras prestações sociais usadas para pagar pensionistas abastados, teria de ser usada. E lá se iria o "estado social" alemão...

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publicado às 21:24




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