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Notas Soltas #1

por Faust Von Goethe, em 27.02.13

I
 

Anda meio mundo preocupado com as eleições em Itália e a cantar de Grillo. Não vale a pena!
As eleições italianas provaram que a democracia ainda funciona e provou que os políticos italianos, por mais corruptos que sejam, são velhas raposas.
Destas eleições, há apenas 2 observações a reter:
i) Os italianos são pró-europeus mas anti-bruxelas.
ii) O resultado das eleições italianas coloca em causa o processo de integração europeia.


II


Ainda sobre o cantar de Grillo: Portugal já teve os seus Grillo's mas com apelido mais comestível que nos traz à memória fiambre e salsichas enlatadas. Da ascenção meteórica (candidato a PR) à queda (candidato a presidente da AR) foi um instante durou menos de 1 ano.
É assim que devemos olhar para candidatos de protesto sem qualquer substância política e sem consciência social. Se falássemos da ascenção política de líderes como Morales (Bolívia) e Correa (Equador), aí a estória seria outra e teríamos mais que investigar. É com estes líderes de protesto que a Europa deveria aprender.

 

III

 

Que me perdoem a minha falta de patriotismo, mas não encontro no cancioneiro Português música tão interventiva, do ponto de vista social, como as músicas da época em que surgiu o movimento tropicalista no Brasil. Qualquer música dos Mutantes mete, em termos de conteúdo, músicas como "Grândola Vila Morena" entre outras a um canto. Falo-vos de riqueza musical e de multiculturalidade.  

Ao contrário da música de intervenção em Portugal, sempre ligada ao saudosismo de uma pátria longínqua e utópica e associados aos movimentos de esquerda, com especial incidência a sul do rio tejo e e alentejo, o movimento tropicalista [brasileiro], para além de ser um movimento de protesto usando técnicas análogas ao que os escravos usavam quando desenvolveram a Capoeira, contribuiu-e muito- para a revolução cultural do brasil até aos dias que correm.
Pelo Brasil, Caetano Veloso e Gilberto Gil que lançaram as suas carreiras, em paralelo com a ascenção do movimento tropicalista, ainda produzem. Por cá, os resquícios de Zeca (Zé Mário Branco, Janita Salomé, Vitorino et all ) parecem já estar "embalsamados". Resta-nos, numa esperança saudosista, entoar o seu cancioneiro, até que a garganta nos doa. 

Ter começado recentemente a estudar história e os costumes do Brasil dá nestes devaneios psicadélicos.


IV


A par da igreja católica, os relacionamentos também estão em crise, ou talvez, em metamorfose.

Nos tempos que correm, é tão ou mais mais importante assumir um compromisso/matrimónio online numa rede social que assumir propriamente o mesmo perante a igreja, ou até mesmo perante o registo civil. 
Esta é a conclusão que retiro dos lembretes e avisos que recebo regularmente na minha conta de Facebook.


Adenda: A rúbrica "Notas Soltas"-que hoje começa-é uma rúbrica tendenciosa, consciente mas ao mesmo tempo, provocatória. As opiniões aqui expressas são da total responsabilidade do autor. 

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publicado às 11:40

2012-O Caleidoscópio da Crise.

por Faust Von Goethe, em 30.12.12

Chegados ao final do ano civil, há que fazer um pequeno balanço sobre a crise do euro-só para não lhe chamar algo pior.

Findado que está este ano, penso que estaremos todos de acordo num ponto fulcral. Governantes e políticos, da direita à esquerda, comentadores e até economistas encartados, recorrem às decisões do tribunal constitucional para suportar ou para criticar as decisões fracturantes dos governos em exercício de funções. Foi assim em Portugal, quando o tribunal constitucional chumbou categoricamente a suspensão dos subsídios de férias; foi assim há dias quando o tribunal constitucional chumbou a taxação de impostos aos mais ricos. Na Alemanha, embora Merkel tenha sido no último ano implacável e irredutível na gestão da crise do euro, não ousou em desafiar o tribunal constitucional alemão. Aliás, só avançou para a criação do fundo de resgate a nível europeu a.k.a. FEEF (Fundo Europeu de Estabilidade Financeira) após a aprovação por parte do tribunal constitucional [alemão].

Embora a Europa viva actualmente um clima de aperto, onde os cidadãos europeus começam a reagir aos poucos, como um todo orgânico-ao ponto de se começarem a interessar vivamente pelo que estava a acontecer nos outros seus países-e embora 2012 tenha sido um ano marcado pela governação tecnocrática, as recentes eleições na europa provaram que a democracia, embora debilitada, ainda funciona. Foi assim na França, onde os franceses não perdoaram o facto de Sarko ter cedido aos caprichos de Merkel. Foi assim na Grécia, um país à beira da ingovernabilidade onde coabita um partido nazi em plena ascenção. E foi também assim em Itália, onde Monti-um verdadeiro tecnocrata no verdadeiro sentido da palavra- não conseguindo levar à avante a sua agenda política, acabou por se demitir, após a aprovação do orçamento de estado para 2013.

Deste ano de 2012 que amanhã finda às 12 badaladas, podemos extrair duas lições sucintas:

  • A carência e o desespero não são bons conselheiros;
  •  Os economistas que aconselham banqueiros e políticos não podem ignorar que acima deles existe um poder, que embora que não seja divino, está acima deles-o poder dos tribunais constitucionais.

No próximo ano será Itália que fará a Europa mexer. Ninguém sabe ainda o que fazer, tendo na mira um eventual regresso de Berlusconi e tendo um Monti que, embora enfraquecido, persiste em levar avante uma agenda austera e reformista. A janela que o liberalismo entreabriu no século XIX para a fomentação da democracia através do exercício parlamentar pode, em pleno século XXI, voltar a fechar-se caso os juízes alinhados politicamente ou dissidentes, usem o tribunal constitucional como panteão da democracia.

Para felicidade de alguns mas para a infelicidade de outros, 2013 será seguramente o ano da democracia constitucional. Em Portugal, embora a justiça esteja aparentemente estabilizada, ainda não encontrou as respostas adequadas e céleres para responder à crise da democracia.

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publicado às 19:36




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