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A Defesa da música pela esperança na Paz

por Carlos Roberto, em 18.12.15

Von Karayan, um dos maiores maestros de sempre que gravou muitas obras na Deutsch Gramophone



Olhamos para a música desde que ela se tornou democrática, ou seja desde que as grafenolas vieram para o mercado, inicialmente até foi Edison que criou isto gravando num cilindro o primeiro registo sonoro. Esse foi o tiro inicial, depois foram as grafenolas com cornetas como conhecemos que amplificavam o som dos primeiros discos de vinilo de 78 rpm, aqui nasceu o fenómeno que hoje conhecemos como "pipocas". Inicialmente apareceram as primeiras gravações de gospel, música clássica, jazz, ou seja a música que dominava a cultura do início do século XX. Chegamos a 1948 e aparece o vinilo de 33 rpm que deixou a grafenola e os discos de 78 rpm a um canto, a música continuou a ser o reflexo da cultura que existia, novos estilos apareceram como o Rock com Elvis ou Buddy Holly e Ray Charles que abriram o mundo para novas sonoridades. Também temos de ver que a industria dos equipamentos musicais também estava a mudar, aparecem as guitarras electricas Fender Stratocaster e as Gibson Les Paulo com o amplificador de eleição para som limpo o Vox. 

 

Chegamos à década de 60 e se já era enorme a venda de discos com Elvis a liderar as vendas começamos a ter em 1963 a invasão britânica que já tinha tido começado em 1961 com os The Shadows. Até agora a gravação era em mono ela só começa a aparecer em Stereo nos discos LP's e aqui começa verdadeiramente a Alta Fidelidade no campo da música. Temos de ver que na altura a Rádio era o principal veículo para distribuir música para as massas e a Radio Caroline (rádio pirata) contornava a ditadura das rádios estatais. Ao mesmo tempo os pedais e amplificadores de guitarra, orgãos e teclados, melhoram e nascem novas sonoridades que empurram ainda mais a industria musica. É com a etiqueta Atlantic que o salto ainda se torna maior quando se antes apostavam em grupos de Jazz, Gospel, R&B apontam as baterias para uma banda que era o rescaldo dos Yardbirds, estou a falar dos Led Zeppelin.

 Fins da década de 60 e inícios da década de 70 aparecem aparelhagens dedicadas para tornar a experiência do ouvinte melhor, para transmitir o máximo que uma gravação stereo podia dar ao ouvinte. Nasceu uma autêntica industria de amplificadores e colunas tanto do lado britânico como do lado americano, e alguma coisa do lado do Japão. Nascem os gravadores de fitas que eram uma consequência portátil do que se usava em estúdio para gravar bandas, nascem as cassestes philips, tudo com o intuito de procurar cada vez mais melhorar a experiência sonora. 

 Von Karayan e os representantes da Philips e Sony no lançamento do CD em 1978

 

Em 1982 é comercializado o CD como resposta a ter uma experiência musical melhor mas sem pipocas, foi com o album Brothers and Arms dos Direstraits que o CD finalmente começou a ser adoptado em larga escala e os vinilos a serem postos à margem. Mas cedo os audiófilos verificaram que a passarem de vinilos para CD's era péssima, e havia uma explicação para isso : os vinilos eram analógicos tinham o espectro todo das frequências gravadas (mesmo as que não ouvimos)  e o cd era a 44khz e 16 bits ... afunilava a qualidade musical que já existia. Com isto muitos vinilos não passaram para digital, há gravações que se perderam e a industrial dos vinilos e todo o hardware associado foi abaixo ... era como uma nova versão de Windows a aparecer nos pc's. Vi numa sala de testes de aparelhagens de alta fidelidade que se ouvia um LP da DG com aparelhagem com amplificador McIntosh, colunas Bose mesa utopia, um prato de giradiscos francês e uma agulha com ponta de diamante ... Podia ser caro claro mas deu-me uma lição, o LP parecia que estávamos a ouvir a música em 3 dimensões, era o Lago dos Cisnes, ouvia a orquestra separada por camadas e conseguia ouvir um instrumento de cada vez ... quando o meu amigo coloca um cd na mesma aparelhagem parecia que tinha uma parede à minha frente.

 CD remasterizado


Para colmatar estas queixas dos audiófilos catálogos inteiros de artistas foram remasterizados, ou seja foram equalizados para se ouvir mais as frequências que não estavam muito audíveis ... mas a m... era a mesma não se ouvia tudo. Chegamos ao séc. XXI e aparec o DVD-Audio, o SACD, formatos com grande resolução que andaram à pancada literalmente ... se bem que a esmagadora maioria dos SACD eram compatíveis com os CD's. Temos de ver que um SACD tinha e tem um pico de 2,1Ghz que permite guardar com fidelidade uma gravação analógica sem perda de dados, foi isso mesmo que a Philips e a Sony pensaram porque as fitas magnéticas dos masters já estavam a perder propriedades ... a cola que as colava.
Mas vemos um fenómeno ao mesmo tempo aparece em 2003 o mp3 em larga escala a destruir o comércio musical, a música foi vendida de graça às camadas jovens ... como se o trabalho dos músicos fosse grátis, havia gajos em que descarregavam gigas de mp3 de discos e vídeos e os vendiam  a miúdos. Mal eles sabiam que as operadoras de telecomunicações sabiam e sabem o que eles faziam, por isso por muito que escondessem os Ip's das máquinas, Mac Adresss e Proxy's estavam lixados por causa do IPv6 ... e não só todos os sistemas operativos Windows e Unix versão open-source têm portas de comunicação com o fabricante para saber o estado da máquina. 

 

Aconteceu o que eu ouvi, músicos que viviam dos royalties de discos que tinham vendido no passado passaram a passar fome em 2003 como se quisessem por um lado limpar a memória colectiva do país e do mundo ou até mesmo anular a esperança na Paz que eles antes tinham dado. Aqueles que amam a música viram que era uma enorme injustiça e não deixaram de ajudar comprando cd's, e também a chamarem sempre a atenção daqueles que faziam downloads de que os músicos nas cadeias das desde as lojas às editoras eram sempre aqueles que recebiam menos. Só para verem uma coisa, uma banda como Rolling Stones ao lançar um CD se o disco nos custa 19 euros, 1 euro por cada disco vendido em qualquer lado era para eles, o resto tirando o IVA 14 euros eram o preço de armazém vindo da editora e façam as contas ao resto que era o que sobrava para pagar salários de funcionários. Isto não foi só cá em Portugal foi praticamente em todo o mundo, editoras perderam peso ( resta saber se o negócio delas era honesto ) não sei se sabem mas a EMI fazia contractos de 25 anos ... obrigava os músicos a serem escravos e muitas vezes a gravarem discos que iam contra tudo o que eles gostavam e defendiam ... daí que se vê em alguns artistas discos que mais valiam não terem saído, como se as próprias editoras quisessem lixar-lhes a vida para quebrarem o contracto e não terem direito a mais nenhum dinheiro dos Royalties ... isso aconteceu com Jean Michael Jarre quando saiu da Disques Dreyfus e pode-se explicar como os Beatles durante muito tempo não puderam colocar no iTunes da Apple os seus discos que inspiraram gerações.

Jean Michael Jarre quando fez o Oxygene, Website : http://jeanmicheljarre.com 




Por muitas injustiças com músicos Jean Michael-Jarre foi eleito pelos colegas e amigos como o representante dos direitos dos músicos na União Europeia. Mas a música tinha de dar uma volta, começaram a aparecer serviços em Streaming para se poder ouvir música como os mp3 mas com a oportunidade de poderem por um preço bastante mais barato terem uma conta sem publicidade e continuarem a ouvir música.

Baboom, uma startup portguesa com um modelo de negócio inovador orientado para os artistas
Website : https://baboom.com/ 


Existem vários mas dois claramente se destacam, o Baboom e o iTunes, o primeiro tem por detrás um dos ex administradores da Sony Music que tem um grande currículo que dá garantias de confiança no que é lá colocado por artistas que querem lançar as suas obras e que provavelmente antes no mundo das editoras sem ética (EMI) eles nunca seriam ouvidos ou gravados, podem também sugerir lojas de vendas cd's e LP's caso não exista em catálogo. Pessoalmente acho que podiam na empresa ajudar os artistas fornecendo informação sobre estúdios de gravação perto da área geográfica e indicar lojas de instrumentos musicais perto da localização geográfica dos artistas e até locais para darem concertos em Portugal e no mundo claro, de modo a que o negócio fosse uma autêntica cooperativa como aquelas que ajudavam os agricultores em Portugal. Um verdadeiro comércio justo e global como Adam Smith sonhava ... com ética.

Mais informações sobre a Baboom aqui : https://baboom.com/about

 Apple, Website : http://www.apple.com/pt/itunes/


Temos depois num nicho de mercado completamente diferente o iTunes que não se conhece nenhum escândalo de o Itunes da Apple não respeitar as editoras que ainda existem e os artistas ... o mesmo não se pode dizer do Spotify. E claro para o Spotify crescer em tão pouco tempo dando quase de mão dada a música só poderia ser uma nova estratégia que é velha ... um mp3 travestido para tentar mais uma vez dar cabo da industria musical que ainda existe. A Apple graças à visão de Steve Jobs deu durante as últimas décadas de que o que faz é de qualidade e respeita os direitos de quem trabalha e neste caso os artistas, temos a garantia de que Tim Cook segue a mesma cultura ... oferecer sempre o melhor com o objectivo de melhorar a sociedade, dando mais liberdade e igualdade de direitos.

 Para acederem ao Google Music, website : https://play.google.com/store/music


Não instalem no Windows, todos sabemos que o iTunes num PC não faz muito sentido, no caso de terem um PC também podem escolher outro serviço o Google Music que não se conhece escândalos com editoras ou artistas, ainda mais quando se sabe claramente que neste momento estão a forçar as pessoas a irem para o Windows 10 mesmo alguns não tendo máquinas para o suportarem. Para continuarem a ouvir música em PC's no Google Music usem uma distribuição Linux como Ubuntu, fácil de utilizar e como já disse sem problemas de vírus.

Como instalar o Google Music : https://support.google.com/googleplay/answer/4515411?hl=pt
Como configurar o Google Music : https://support.google.com/googleplay/answer/1291788?hl=pt-PT

Mais alguma informação enviem email para : ridebike1977@gmail.com

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publicado às 09:53

2012-O Caleidoscópio da Crise.

por Faust Von Goethe, em 30.12.12

Chegados ao final do ano civil, há que fazer um pequeno balanço sobre a crise do euro-só para não lhe chamar algo pior.

Findado que está este ano, penso que estaremos todos de acordo num ponto fulcral. Governantes e políticos, da direita à esquerda, comentadores e até economistas encartados, recorrem às decisões do tribunal constitucional para suportar ou para criticar as decisões fracturantes dos governos em exercício de funções. Foi assim em Portugal, quando o tribunal constitucional chumbou categoricamente a suspensão dos subsídios de férias; foi assim há dias quando o tribunal constitucional chumbou a taxação de impostos aos mais ricos. Na Alemanha, embora Merkel tenha sido no último ano implacável e irredutível na gestão da crise do euro, não ousou em desafiar o tribunal constitucional alemão. Aliás, só avançou para a criação do fundo de resgate a nível europeu a.k.a. FEEF (Fundo Europeu de Estabilidade Financeira) após a aprovação por parte do tribunal constitucional [alemão].

Embora a Europa viva actualmente um clima de aperto, onde os cidadãos europeus começam a reagir aos poucos, como um todo orgânico-ao ponto de se começarem a interessar vivamente pelo que estava a acontecer nos outros seus países-e embora 2012 tenha sido um ano marcado pela governação tecnocrática, as recentes eleições na europa provaram que a democracia, embora debilitada, ainda funciona. Foi assim na França, onde os franceses não perdoaram o facto de Sarko ter cedido aos caprichos de Merkel. Foi assim na Grécia, um país à beira da ingovernabilidade onde coabita um partido nazi em plena ascenção. E foi também assim em Itália, onde Monti-um verdadeiro tecnocrata no verdadeiro sentido da palavra- não conseguindo levar à avante a sua agenda política, acabou por se demitir, após a aprovação do orçamento de estado para 2013.

Deste ano de 2012 que amanhã finda às 12 badaladas, podemos extrair duas lições sucintas:

  • A carência e o desespero não são bons conselheiros;
  •  Os economistas que aconselham banqueiros e políticos não podem ignorar que acima deles existe um poder, que embora que não seja divino, está acima deles-o poder dos tribunais constitucionais.

No próximo ano será Itália que fará a Europa mexer. Ninguém sabe ainda o que fazer, tendo na mira um eventual regresso de Berlusconi e tendo um Monti que, embora enfraquecido, persiste em levar avante uma agenda austera e reformista. A janela que o liberalismo entreabriu no século XIX para a fomentação da democracia através do exercício parlamentar pode, em pleno século XXI, voltar a fechar-se caso os juízes alinhados politicamente ou dissidentes, usem o tribunal constitucional como panteão da democracia.

Para felicidade de alguns mas para a infelicidade de outros, 2013 será seguramente o ano da democracia constitucional. Em Portugal, embora a justiça esteja aparentemente estabilizada, ainda não encontrou as respostas adequadas e céleres para responder à crise da democracia.

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publicado às 19:36

Coleira electrónica preventiva

por John Wolf, em 13.12.12

O Ministério da Justiça está a desenvolver uma pulseira electrónica preventiva. Uma vez que certas profissões registam uma maior incidência de ilícitos, o Gabinete Técnico para a Prevenção da Criminalidade desenvolveu um novo equipamento que serve para dissuadir os delinquentes de levarem por diante os seus intentos. Numa primeira fase serão atribuídas pulseiras electrónicas preventivas à totalidade de deputados, ministros e ex-ministros do governo, estando prevista para os titulares de cargos máximos - como o Presidente da República e o Primeiro Ministro -, uma versão beta de colar electrónico que integra uma webcam e um microfone que não podem ser desligados. 

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publicado às 10:26

Leituras pelo Caleidoscópio #3

por Faust Von Goethe, em 21.11.12

Na sugestão de leitura de hoje, sugiro duas [excelentes] entrevistas de duas pessoas pelas quais nutro uma especial admiração, confesso:

Para terminar, o discurso de Rafael Correa na cimeira Ibero-Americana em Cádis. Uma análise coerciva dos efeitos das medidas de austeridade em tempos de recessão/crise sistémica. A seu tempo e sempre que seja oportuno irei falar de Correa e do blog [governamental] "Economía en bicicleta".



 

Boas leituras e visualizações!

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publicado às 12:09

Balança de Pagamentos

por John Wolf, em 14.11.12

A entrada de Vale e Azevedo em Portugal, e a partida de Isaltino Morais para o Gabão, tem a ver com a necessidade de manter um certo equilíbrio na balança de pagamentos.

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publicado às 21:40

Suposições ou

por Antero Neves, em 10.11.12

O que eu penso que sei, o que tu pensas que sabes, o que eles pensam que sabem.

 

As pessoas não podem ser julgadas tendo por base uma onda de opinião nas redes sociais. Isto é o que eu penso que sei.

É claro que haverá gente a discordar de mim, mas isso é problema de quem pensa que sabe que não é assim e não meu.

O que tenho assistido nos últimos dias - acerca de Isabel Jonet - parece uma adaptação do conto Frei Genebro de Eça de Queiroz e o sentimento que me assola é exactamente o mesmo: injustiça.

 

A justiça divina do conto toma neste caso a forma de justiça facebookiana e trata com desprezo qualquer acto anterior ou qualquer intenção diferente daquela que os carrascos amigos de facebook supõem. Assim, nos últimos tempos, inundam o terceiro maior "país" do planeta com pedidos de explicações e exigências de desculpas mostrando a falta de compreensão e até uma presunção de superioridade relativamente a quem durante 20 anos teve um papel agradável mas que, por todos quererem ser mais santos que os demais, suponho que suscitava invejas ou pelo menos vontade de criticar.

 

Agora chegou a desculpa que esses procuravam.

Aquilo que eu depreendi das palavras de Isabel Jonet foi um aviso de alguém que já viu e viveu mais do que eu, nada mais, nada menos, e por isso lembrei-me do ditado anglo-saxónico: no good deed goes unpunished.

Isto é o que eu penso que sei, provavelmente estarei errado, mas tu que lês este texto e tens uma opinião diferente - contrária ou não - provavelmente também estás errado, e eles, os que estão à nossa volta, também, porque todos nós pensamos que sabemos quando na realidade não fazemos ideia.

 

Pena que nestas coisas da justiça e da consciência não podemos usar a Matemática para calcular a média (ou mediana) de todas as nossas suposições e encontrar, se tivermos em conta a sabedoria das multidões, a mais certeira.

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publicado às 19:47




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