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“O Julgamento – uma narrativa crítica da justiça”

por Faust Von Goethe, em 28.12.12

Realiza-se no dia 29 de dezembro, sábado, às 15h30, no auditório da Biblioteca Municipal da Nazaré, a apresentação do livro "O Julgamento – uma narrativa crítica da justiça", da autoria de Álvaro Laborinho Lúcio.

Na sinopse, o autor refere que o livro «é o produto de uma memória propositadamente não elaborada, sem trabalho de reconstituição, escorrendo em palavras a partir de uma mistura de lembranças e de esquecimentos, desprendida do rigor das provas, alheada dos documentos, dispensada de graves desígnios de certeza como fundamento de uma razão que se quer ver reconhecida. É uma memória... apenas memória! Como acontecia com as testemunhas que eu ouvi! Sem preocupações científicas, falando para gente comum, este livro de restos procura a justiça seguindo o trilho deixado pelas pegadas de muitos. Pelas minhas próprias pegadas. Nele encontro histórias. Revejo factos. Surpreendo pessoas. Releio ensaios. Confesso fracassos. Esqueço erros. Louvo e censuro. Num constante recomeço. Tudo na ilusão, apenas, da justiça.»

 

Álvaro Laborinho Lúcio. Nasceu a 1 de dezembro de 1941, na Nazaré. É Juiz Conselheiro jubilado do Supremo Tribunal de Justiça. Desempenhou diversos cargos na hierarquia do Estado Português, entre os quais o de Ministro da Justiça, Ministro da República para a Região Autónoma dos Açores, Secretário de Estado da Administração Interna, Deputado à Assembleia da República, Procurador-Geral Adjunto, Delegado do Procurador-Geral da República, Diretor da Escola de Polícia Judiciária e Diretor do Centro de Estudos Judiciários.Laborinho Lúcio foi agraciado, em Espanha, com a Grã-Cruz da Ordem D. Raimundo Penaforte e, em Portugal, com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo.

 

Fonte: Biblioteca Municipal da Nazaré.

 

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publicado às 01:23

Portugal e a fragilidade de Taleb

por John Wolf, em 19.12.12

 

Não se sabe, se Nassim Nicholas Taleb é uma mente brilhante, ou tem uma. O autor do livro - the Black Swan  (Penguin, 2007) é um destacado académico. Um professor da disciplina de incerteza. Uma condição transversal ao homem seja qual fôr a sua arte ou ciência. Nessa obra que partilha o seu título com um filme que nada tem a ver com o assunto, Taleb descreve um "território" onde ocorrências não previstas se desenrolam de um modo intenso, expressivo. Um pouco à laia da normalidade afectada pelo imprevisto de um Shit happensTrata-se de "comportamentos", que por não terem sido inscritos de todo num calendário de possibilidades, acabam por ter efeitos ainda mais intensos quando "decidem" irromper em distintos quadros de relativa acalmia. É um reino de ocorrências a que Taleb deu o nome de Extremistão, localizado para além de várias curvas e contra-curvas. Por exemplo, a curva de Gauss ou a curva de Bell. Isto a propósito da política e o estabelecimento de cenários e previsões. Este governo (o de Passos e companhia) atira para o ar certezas que estão longe disso. Estes senhores, que não roçam os pés de Taleb, põe-se por aí a especular, a mandar postas a torto e a direito como se as consequências fossem as perdas de um mero jogo de tabuleiro, uma versão adulterada do monopólio. Mas não. Estão em jogo vidas e mortes humanas, indivíduos utilizados como joguetes numa paródia de tentativas e erros. Mais erros que certezas. Há tantas variáveis que podem desequilibrar ainda mais o estado da nação. Querem alguns exemplos de externalidades? O Chipre, dividido pela Grécia e a Turquia, esquecido pela elite Europeia, está mais perto de deflagrar em bancarrota económica e financeira do que se julga, enquanto as baterias estão viradas a um outro sol, a um sul distinto, Grego, Italiano e Espanhol. O Médio Oriente, aparentemente estabilizado, mas que efectivamente é um barril de pólvora com rastilhos na Síria, no Egipto, entre outros actores regionais. A Coreia do Norte que tem vindo a produzir encenações que podem muito bem ser ensaios para outras estreias. Poderia continuar e oferecer ainda mais exemplos, mas penso que é mais que suficiente para demonstrar a fragilidade das convicções dos governantes que julgam que têm as rédeas do poder, que julgam que fazem a realidade. A palavra chave da última frase é precisamente a mais ténue desse encadeado - fragilidade -, e novamente Taleb volta à baila com mais um conjunto de reflexões sobre os processos de decisão do homem. O seu novo livro - Antifragile: things that gain from disorder baralha os pressupostos que nos guiam. Taleb descreve como os erros de dimensão assinalável acabam por ter um efeito compensador pela forma como se busca um modelo para evitar novos descalabros de proporções inaceitáveis. Os pequenos erros, por passarem despercebidos, não servem para despoletar revisões profundas dos paradigmas subjacentes. É necessário que grandes desastres ocorram para que se procure a substituição total do sistema em vigor. No limite, Taleb afirma que o massácre de Newtown nos EUA irá salvar vidas futuras por exigir uma correcção irredutível, ou tendencialmente radical. Mas regressemos a Portugal e tentemos relacionar esta linha de raciocínio com o que se está a passar com as decisões executivas do governo. Se o país prosseguir o caminho da Austeridade irá provocar um evento extremo, a ruína irrecuperável que em última instância obrigará à procura de um modelo de substituição completo. Ou seja, este governo e o próprio conceito de governação encontram-se na via de auto-destruição, arrastando consigo o corpo que deixou de os sustentar. O erro crasso do governo é algo de dimensão assinalável. É algo muito maior que fazer despenhar todos os aviões da TAP em simultâneo, algo maior que a venda de todos os estaleiros a preço de saldo. O que está em causa é uma opção nuclear que ataca o âmago de uma nação, que corroi a esperança e torna ainda mais frágil a nossa condição. Frágil.

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publicado às 17:36




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