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Notas Soltas #2

por Faust Von Goethe, em 17.03.13

I

 

Há dias atrás, um grupo de celebridades da nossa plebe lançou o Manifesto pela Democratização do RegimeEmbora concorde em grande parte com o que foi escrito no manifesto, discordo totalmente do título adoptado e porquê? Porque problema de Portugal não é falta de democratização mas de perda de soberania. Será que alguns dos signatários que assinou por baixo o manifesto percebeu?! Embora possa ser outra história, é talvez a questão chave a ser discutida numa fase em que estamos sob o diktat e a tutela da troika.

 

 


II


Mais uma avaliação da troika e mais um desvio colossal nas previsões de Gaspar. O grande erro de Gaspar e de muitos dos economistas com pergaminhos passa por assumir que as economias, para recuperarem, tem de crescem a ritmos rápidos e exponenciais a longo e médio prazo. Esquecem-se porém que os recursos disponíveis para o fazer são finitos.

O exemplo mais actual nesta direcção é a economia chinesa, que experimentou um crescimento exponencial rápido entre 1996-2010. No entanto, de 2010 para cá começou a abrandar progressivamente.

Moral da história: Falar em crescimento é fácil. Difícil é saber como [voltar a] crescer.

 



III

 

Todo este novo discurso de pobreza do actual papa é um excelente bálsamo para conduzir um rebanho de pessoas que acreditam que a pobreza é o caminho da fé e da salvação, o que não deixa de ser demagógico. Tendo em conta as linhas geral da ONU sobre os direitos humanos, viver na pobreza deverá ser sempre uma escolha individual e nunca uma imposição de culto como está a tentar passar-se (Snif Snif...) Espero que Francisco não confunda com estas coisas o papel da igreja com o papel dos governos, papel esse que passa por minimizar as desigualdades socio-económicas em termos de renda per capita.

 

 

 

IV

 

Tenho notado que existe alguma aliteracia financeira em certos comentadores, quando falam de agências de notação financeira e de sustentabilidade da dívida.
Convém esclarecer que quando se fala em sustentabilidade da dívida, o que interessa não é muitas vezes o que se deve mas o que se tem que pagar em termos de seguro de dívida a.k.a Credit Default Swaps. Neste caso, o valor que o estado terá de assegurar caso haja incumprimento.
Só no ano passado, as seguradoras que atuam no mercado português investiram [a descoberto] cerca de 8,7 mil milhões de euros em títulos de dívida pública portuguesa, correspondentes a 67% do total de 13 mil milhões de euros investidos, no total.
E agora, perguntam vocês: "O que isto significa?". Muito simples. Os mercados financeiros estão a apostar que o doente não é capaz de pagar o que pediu emprestado. Por outras palavras, os investidores na eminência do doente morrer da doença, apostam tudo na sua "morte" imediata. 



V


Para terminar, um episódio bizarro da política regional dos dos estados unidos no seu melhor:


"Ed Orcutt, senador do estado de Washington, defendeu que andar de bicicleta provoca mais dano no ambiente do que circular de automóvel. Razão? Com o aumento do ritmo cardíaco, há mais emissão de dióxido de carbono. Entretanto, Ed arrependeu-se do argumento usado para sustentar a sua teoria. "


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publicado às 00:52

Notas Soltas #1

por Faust Von Goethe, em 27.02.13

I
 

Anda meio mundo preocupado com as eleições em Itália e a cantar de Grillo. Não vale a pena!
As eleições italianas provaram que a democracia ainda funciona e provou que os políticos italianos, por mais corruptos que sejam, são velhas raposas.
Destas eleições, há apenas 2 observações a reter:
i) Os italianos são pró-europeus mas anti-bruxelas.
ii) O resultado das eleições italianas coloca em causa o processo de integração europeia.


II


Ainda sobre o cantar de Grillo: Portugal já teve os seus Grillo's mas com apelido mais comestível que nos traz à memória fiambre e salsichas enlatadas. Da ascenção meteórica (candidato a PR) à queda (candidato a presidente da AR) foi um instante durou menos de 1 ano.
É assim que devemos olhar para candidatos de protesto sem qualquer substância política e sem consciência social. Se falássemos da ascenção política de líderes como Morales (Bolívia) e Correa (Equador), aí a estória seria outra e teríamos mais que investigar. É com estes líderes de protesto que a Europa deveria aprender.

 

III

 

Que me perdoem a minha falta de patriotismo, mas não encontro no cancioneiro Português música tão interventiva, do ponto de vista social, como as músicas da época em que surgiu o movimento tropicalista no Brasil. Qualquer música dos Mutantes mete, em termos de conteúdo, músicas como "Grândola Vila Morena" entre outras a um canto. Falo-vos de riqueza musical e de multiculturalidade.  

Ao contrário da música de intervenção em Portugal, sempre ligada ao saudosismo de uma pátria longínqua e utópica e associados aos movimentos de esquerda, com especial incidência a sul do rio tejo e e alentejo, o movimento tropicalista [brasileiro], para além de ser um movimento de protesto usando técnicas análogas ao que os escravos usavam quando desenvolveram a Capoeira, contribuiu-e muito- para a revolução cultural do brasil até aos dias que correm.
Pelo Brasil, Caetano Veloso e Gilberto Gil que lançaram as suas carreiras, em paralelo com a ascenção do movimento tropicalista, ainda produzem. Por cá, os resquícios de Zeca (Zé Mário Branco, Janita Salomé, Vitorino et all ) parecem já estar "embalsamados". Resta-nos, numa esperança saudosista, entoar o seu cancioneiro, até que a garganta nos doa. 

Ter começado recentemente a estudar história e os costumes do Brasil dá nestes devaneios psicadélicos.


IV


A par da igreja católica, os relacionamentos também estão em crise, ou talvez, em metamorfose.

Nos tempos que correm, é tão ou mais mais importante assumir um compromisso/matrimónio online numa rede social que assumir propriamente o mesmo perante a igreja, ou até mesmo perante o registo civil. 
Esta é a conclusão que retiro dos lembretes e avisos que recebo regularmente na minha conta de Facebook.


Adenda: A rúbrica "Notas Soltas"-que hoje começa-é uma rúbrica tendenciosa, consciente mas ao mesmo tempo, provocatória. As opiniões aqui expressas são da total responsabilidade do autor. 

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publicado às 11:40




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