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Desafiando a Razão como forma de evitar o Colapso!

por Faust Von Goethe, em 07.01.13

 

A crise sistémica que os países desenvolvidos atravessam tem uma ordem de complexa muito superior ao que se estima. Não havendo um diagonóstico único que correlacione realidades macro com realidades micro, a perseguição desenfreada à propriedade privada e poupanças sob a forma de aumentos progressivos de impostos tem sido a opção vigente, que ao invés de defender o princípio da equidade, tem resultado em dupla injustiça com tendência a expropriação.

Embora a economia especulativa continue a florescer, ao ponto dos derivados financeiros a nível global, representarem actualmente um risco de incumprimento dez vezes superior ao PIB mundial, os governos optam pelo mais fácil-austeridade fiscal-que se resume à celebre alegoria do “homem do fraque”- uma espécie de fiscal bem vestido [de fraque] que acompanha o “devedor” na sombra, chamando-o à atenção na esperança que o perseguido, pague a dívida por vergonha.

Mais do que nunca, a desregulação dos mercados financeiros a nível global, têm representado uma ameaça urgente e potencialmente irreversível que pode conduzir a um retrocesso civilizacional, à semelhança do que aconteceu durante a idade média. Já várias vozes alertaram para este cenário, entre os quais Barack Obama, Alan Greenspan, Warren Buffet e Myron Scholes. Muito recentemente, vozes como as de George Soros tem demonstrado que o valor dos seguros de dívida por incumprimento a.k.a CDS (Credit Default Swaps) deixaram de cumprir os objectivos para que foram criados- i.e. o de quantificarem a “saúde financeira” das empresas e países, ao invés de geraram activos [financeiros] tóxicos que visam ao enriquecimento de bancos de investimento em situação de pré-faléncia.

Perante tal cenário de deriva colectiva, sem esperança, confiança e sentido de humanismo, só nos resta uma solução para tentar evitar o colapso eminente. Esta passa por equilibrar o lado racional com o lado emocional como forma de combater uma civilização tablóide emergente, orquestrada pelas trompetas dos mercados financeiros e das agências de rating.

Como diria Patrick Viveret ”razão instrumental sem inteligência emocional pode levar-nos facilmente a cometer a pior das barbaridades” (cf. Por uma sobriedade feliz, Quarteto 2012, 41). 

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publicado às 00:17

Crise da Economia Alemã explicada às Crianças

por Faust Von Goethe, em 07.11.12

 

 Suponhamos que a Alemanha é a mercearia do seu bairro (Entenda-se por zona euro). Quando a mercearia abriu (em 2002, quando começou a circular o euro), esta limitou que os clientes do bairro (os PIIGS) apenas se pudessem endividar até 60% daquilo que ganhavam.
A uma determinada altura, a mercearia pensou em expandir o seu negócio, pois queria competir, em termos de vendas (entenda-se exportações) com as grandes superfícies (entenda-se China, Estados Unidos e afins).

Para isso permitiu que os clientes do Bairro se continuassem a endividar-se ano após ano, a solução que arranjou para manter a sua mercearia aberta, passou por pagar do seu bolso aquilo que os seus clientes consumiam.

Ao fim de 6 anos (entenda-se falência do Lehman Brothers), chegou uma hipoteca das finanças (entenda-se violação dos limites de endividamento impostos pelos tratados de adesão) que começaram a por em causa a sustentabilidade da mercearia. Como a mercearia deixou de ter liquidez, então o merceeiro (entenda-se, o governo alemão) começou a tentar cobrar cliente a cliente (entenda-se a grécia, irlanda, portugal, espanha, itália-PIIGS) aquilo que lhe deviam.

Mas os limites de endividamento dos clientes (na ordem dos 120% do PIB) não lhe permitem liquidar a dívida e ao mesmo tempo continuar a fazer compras como faziam até aqui, o que fez com a mercearia ao fim de 3 anos começasse a perder receitas.

Foi mais ou menos assim que a "Crise chegou à economia alemã". É o que dá quando uma mercearia de bairro quer competir com grandes superfícies.

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publicado às 13:27

La Palissadas inspiradoras por quem nos deve ler-ou devia...

por Faust Von Goethe, em 23.10.12

Eu a 13.10.2012 : "ao consumir dou lucro aos patrões, dou trabalho a uns quantos empregados. Porque encontrando-me dentro de uma grande superfície, não me encontro na rua corromper a democracia. La Palisse se fosse vivo diria o mesmo."


Adenda #1: Não sei se Passos Coelho e/ou os seus acessores nos anda(m) a ler. Se não anda(m), devia(m) :D.
Adenda #2: Para o Camilo Lourenço que só sabe fazer contas de somar e diminuir subtrair, apenas para lembrar que para se efectuar o cálculo da dívida pública, em percentagem, temos de considerar o rácio D/PIB, onde D representa a dívida [pública] líquida e PIB o produto interno bruto. Ora se o PIB está a diminuir, porque a economia se encontra em contração, então a dívida pública aumenta porque é inversamente proporcional ao PIB. Para quem tem uma formação sólida em matemática, esta relação é mesmo lapalissiano trivial! 

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publicado às 15:11

O protesto de hoje-O meu

por Faust Von Goethe, em 13.10.12

 

O meu protesto de hoje consistiu em trocar as ruas [de Coimbra] pelos corredores de um supermercado para ajudar o Gaspar e a [sua querida] finança. Há que contrariar as [últimas] estatísticas que revelam uma forte contração no consumo.

Para o devido efeito, achei por bem protestar, consumindo. Porque ao consumir dou lucro aos patrões, dou trabalho a uns quantos empregados. Porque encontrando-me dentro de uma grande superfície, não me encontro na rua corromper a democracia. La Palisse se fosse vivo diria o mesmo.

E assim foi. Troquei assim as manifestações multiculturais e os gritos de ordem pelo consumismo [minimalista]. Gastei mais de 30 euros para trazer menos de 10 unidades/produtos, entre as quais 1 desodorizante-Axe Dry Anarchy

Julgo ser este o melhor repelente que devo usar quando sinto que me estão a ir ao bolso das mais variadas formas. Percebam o porquê na promo abaixo:

 

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publicado às 21:40




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