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Notas Soltas #1

por Faust Von Goethe, em 27.02.13

I
 

Anda meio mundo preocupado com as eleições em Itália e a cantar de Grillo. Não vale a pena!
As eleições italianas provaram que a democracia ainda funciona e provou que os políticos italianos, por mais corruptos que sejam, são velhas raposas.
Destas eleições, há apenas 2 observações a reter:
i) Os italianos são pró-europeus mas anti-bruxelas.
ii) O resultado das eleições italianas coloca em causa o processo de integração europeia.


II


Ainda sobre o cantar de Grillo: Portugal já teve os seus Grillo's mas com apelido mais comestível que nos traz à memória fiambre e salsichas enlatadas. Da ascenção meteórica (candidato a PR) à queda (candidato a presidente da AR) foi um instante durou menos de 1 ano.
É assim que devemos olhar para candidatos de protesto sem qualquer substância política e sem consciência social. Se falássemos da ascenção política de líderes como Morales (Bolívia) e Correa (Equador), aí a estória seria outra e teríamos mais que investigar. É com estes líderes de protesto que a Europa deveria aprender.

 

III

 

Que me perdoem a minha falta de patriotismo, mas não encontro no cancioneiro Português música tão interventiva, do ponto de vista social, como as músicas da época em que surgiu o movimento tropicalista no Brasil. Qualquer música dos Mutantes mete, em termos de conteúdo, músicas como "Grândola Vila Morena" entre outras a um canto. Falo-vos de riqueza musical e de multiculturalidade.  

Ao contrário da música de intervenção em Portugal, sempre ligada ao saudosismo de uma pátria longínqua e utópica e associados aos movimentos de esquerda, com especial incidência a sul do rio tejo e e alentejo, o movimento tropicalista [brasileiro], para além de ser um movimento de protesto usando técnicas análogas ao que os escravos usavam quando desenvolveram a Capoeira, contribuiu-e muito- para a revolução cultural do brasil até aos dias que correm.
Pelo Brasil, Caetano Veloso e Gilberto Gil que lançaram as suas carreiras, em paralelo com a ascenção do movimento tropicalista, ainda produzem. Por cá, os resquícios de Zeca (Zé Mário Branco, Janita Salomé, Vitorino et all ) parecem já estar "embalsamados". Resta-nos, numa esperança saudosista, entoar o seu cancioneiro, até que a garganta nos doa. 

Ter começado recentemente a estudar história e os costumes do Brasil dá nestes devaneios psicadélicos.


IV


A par da igreja católica, os relacionamentos também estão em crise, ou talvez, em metamorfose.

Nos tempos que correm, é tão ou mais mais importante assumir um compromisso/matrimónio online numa rede social que assumir propriamente o mesmo perante a igreja, ou até mesmo perante o registo civil. 
Esta é a conclusão que retiro dos lembretes e avisos que recebo regularmente na minha conta de Facebook.


Adenda: A rúbrica "Notas Soltas"-que hoje começa-é uma rúbrica tendenciosa, consciente mas ao mesmo tempo, provocatória. As opiniões aqui expressas são da total responsabilidade do autor. 

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publicado às 11:40

Flashback d'O Estado da Nação.

por Faust Von Goethe, em 26.02.13

 

Portugal sempre foi um país de treinadores de bancada e de profetas da desgraça. Não era preciso sê-lo para adivinhar o que vinha aí!

O desastre orçamental com que Portugal está actualmente confrontado mostra que as previsões do Banco de Portugal foram as únicas que estiveram sempre em linha com a execução orçamental.

Os posts abaixo foram escrito por mim há um punhado de meses atrás. Só falta mesmo colocar em cima da mesa a questão da renegociação da dívida como forma de evitar um eventual colapso.

 

(...)No próximo ano será Itália que fará a Europa mexer. Ninguém sabe ainda o que fazer, tendo na mira um eventual regresso de Berlusconi e tendo um Monti que, embora enfraquecido, persiste em levar avante uma agenda austera e reformista. A janela que o liberalismo entreabriu no século XIX para a fomentação da democracia através do exercício parlamentar pode, em pleno século XXI, voltar a fechar-se caso os juízes alinhados politicamente ou dissidentes, usem o tribunal constitucional como panteão da democracia.

(...) 

em 2012-O Caleidoscópio da Crise.

 

(...) é bem provável que a redução no investimento por parte dos privados durante o próximo ano assim como outras componentes da despesa agregada anexadas à flutuação das taxas de juro-consequência directa da dívida pública se situar na casa dos 120%- conduzam ao tsunami que advém do 'credit crunch'-o 'crowding-out'.


em O segredo que não passa de uma mera constatação.

 

(...)

Por mais que Álvaro Santos Pereira e Assunção Cristas tentem vender que este Orçamento de Estado tem medidas que visam ao potenciar do crescimento económico e ao estimular do empreendedorismo em áreas como a economia e a agricultura, uma coisa ficou clara para aqueles que já tiveram oportunidade de ler as linhas gerais do Orçamento de Estado para 2013. Quem vai pagar os devaneios de Santos Pereira, Cristas e dos restantes ministros [empenhados em fazer obra] não é o investimento replicativo. São os contribuintes.
(...) 

em Estamos saturados disto!

 

(...) 

Tal como Portas [e Gaspar], acredito que dentro de um ano teremos a balança comercial equilibrada. No entanto, a tendência de queda acentuada do poder de compra a nível interno, irá fazer disparar as falências e o desemprego. Por conseguinte, a diminuição do número de trabalhadores a descontar irá aumentar as despesas com a segurança social. Logo, a probabilidade de não cumprirmos com as metas do défice em 2013 é bastante elevada. Em termos gerais, esta é uma das conclusões que se pode retirar após ler o Global Outlook para o quarto trimestre do banco [francês] BNP Paribas.(...)

 

em O Estado da Nação

 

(...)
Houve um deslumbramento inicial da 
blogosfera pela troika e pelas promessas [incipientes] deste [novo] governo- o governo falava e os bloggers ouviam e reproduziam mimeticamente a mensagam, sem vacilar. Demorou algum tempo até que a blogosfera reagisse, ao questionar a eficiência das medidas de austeridade. No entanto, com o agravar da crise e com a percepção do cenário global da crise do euro, as opiniões mais antagónicas de alguns bloggers começaram a fazer sentido e a passar, opiniões essas que começam a influenciar os restantes bloggers, da esquerda à direita. (...)


em  Blogar em tempos de crise.

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publicado às 08:22

Expresso da Lusitânia-Digest (*)

por Faust Von Goethe, em 12.02.13
Palavras do Papa no Consistório em que anunciou a resignação
        

Queridíssimos irmãos,

Convoquei-vos para este Consistório, não apenas por causa das três
canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande
importância para a vida da Igreja.

Depois de examinar reiteradamente a minha consciência perante Deus, cheguei
à certeza de que, pela idade avançada, já não tenho forças para exercer
adequadamente o ministério de Pedro (petrino).

Ler mais em:

http://maislusitania.blogspot.pt/2013/02/palavras-do-papa-no-consistorio-em-que.html

 

Para acabar de vez com o equívoco (ou não)
da social-democracia e outros mitos   
 
Historicamente, a expressão social-democracia tem origem em França, em
Fevereiro de 1849. Depois de derrotados na Revolução de 1848, os grupos
revolucionários agrupam-se no Partido Democrata-Socialista ou
Social-Democrata, sendo esta forma abreviada (social=socialista) a mais
comum.

Ler mais em:

http://www.maislusitania.blogspot.pt/2012/11/para-acabar-de-vez-com-o-equivoco-ou.html



Salazar e os actuais políticos pedintes
Memórias de um outro Portugal
 
Corria o ano da graça de 1962 (já lá vai meio século). A Embaixada de
Portugal em Washington recebe pela mala diplomática um cheque de 3 milhões
de dólares (em termos actuais algo parecido com 50 milhões €) com
instruções para o encaminhar ao State Department para pagamento da primeira
tranche do empréstimo feito pelos EUA a Portugal, ao abrigo do Plano
Marshall.

Ler mais em:

http://www.maislusitania.blogspot.pt/2013/01/salazar-e-os-actuais-politicos-pedintes.html

  

O medo de Salazar… 
 
O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), dependente do
Ministério da Justiça, decidiu não autorizar o rótulo «Memórias de Salazar»
com que o Município de Santa Comba Dão pretendia comercializar algum vinho
da região.

Ler mais em:

http://www.maislusitania.blogspot.pt/2012/12/o-medo-de-salazar.html

 

Universidade católica ou caótica?  
 
Quem seguir relativamente de perto o que se passa na Universidade Católica
Portuguesa não pode deixar de se interrogar sobre a sua natureza real no
que toca ao cristianismo é à sua missão.

Ler mais em:

http://www.maislusitania.blogspot.pt/2013/01/universidade-catolica-ou-caotica.html

 


 

O abortista e pro-invertidos Obama é o maior
para a senhora professora da «católica»
 
A senhora professora liberalóide da universidade caótica (dita Universidade
Católica Portuguesa) Lívia Franco participou mais uma vez no programa da
Sic Notícias Opinião Pública (22.1-2013). Com tanto tempo de antena, o
Balsemão e seus assalariados lá sabem porquê.

Ler mais em:

http://www.maislusitania.blogspot.pt/2013/01/o-abortista-e-pro-invertidos-obama-e-o.html

 

A lei de «identidade de género» e os limites
da omnipotência do legislador (1)
 
No momento em que escrevo [2010], está em discussão numa comissão da
Assembleia da República o Projecto de Lei nº 319/XI, do Bloco de Esquerda,
que «altera o Código de Registo Civil, permitindo a pessoas transexuais a
mudança de registo do sexo no assento de nascimento»[1].

Ler mais em:

http://www.maislusitania.blogspot.pt/2012/12/a-lei-de-identidade-de-genero-e-os.html

 


As finanças do PCP e a sua morte anunciada
 
A implosão da União Soviética veio criar aos partidos comunistas alinhados
com Moscovo vários problemas. O mais óbvio problema foi o do desprestígio
político adicional a que ficaram sujeitos com a desagregação do «paraíso»
terreno que apregoavam. Mas a este juntou-se outro que foi corroendo os
partidos moscovitas: o fim do financiamento das suas máquinas de
organização e propaganda.

Ler mais em:
http://www.maislusitania.blogspot.pt/2013/01/as-financas-do-pcp-e-sua-morte-anunciada.html

 

 
Os nossos historietadores e o chamado
«homem novo» do Estado Novo 
 
No documentário gauchô da RTP2 sobre António Ferro (lá voltaremos no devido
momento), os historietadores do regime da III República Irene Pimentel e
Fernando Rosas, ambos da escola da historiografia marxista, criticam o
Estado Novo e Ferro por este pretender fabricar um homem novo.

Ler mais em:

http://www.maislusitania.blogspot.pt/2012/12/os-nossos-historietadores-e-o-chamado.html

 

A ditadura nazi dos invertidos

                
Cristão poderá pagar multa de 50 mil dólares por não fazer bolo de
«matrimónio» invertido

Um pasteleiro cristão de Gresham, estado de Oregon (Estados Unidos), poderá
pagar uma multa de 50 mil dólares por ter-se negado a preparar um bolo de
casamento para um casal de lésbicas.

Ler mais em:

http://maislusitania.blogspot.pt/2013/02/a-ditadura-nazi-dos-invertidos.html




Portugal - Tempo de Todos os Perigos
 
Ler mais em:

http://www.maislusitania.blogspot.pt/2012/11/portugal-tempo-de-todos-os-perigos.html

 
A RTP, antro de corrupção da juventude e infância
 
A PSP teve acesso a vídeos da RTP… A administração não deu autorização… Os
desordeiros foram indevidamente identificados pela polícia… Que atentado à
liberdade! Que chatice0! Isto já parece o fascismo, pá!
Serão estes para os Portugueses os verdadeiros problemas da RTP nesta
sociedade democratista?

Ler mais em:

http://www.maislusitania.blogspot.pt/2012/12/relatorio-direccao-da-confederacao_9.html

 

Eslováquia resiste e não retira auréolas
dos santos Cirilo e Metódio impressas nas moedas
                 

Resistindo à pressão da Comissão Europeia, o Banco Nacional da Eslováquia e
a maioria da oposição, a Eslováquia votou para que se mantenha o desenho
original da moeda comemorativa da evangelização da Grande Morávia pelos
dois irmãos e santos Cirilo e Metódio, grandes evangelizadores e
construtores da cultura dos países eslavos.

Ler mais em:

http://www.maislusitania.blogspot.pt/2012/12/eslovaquia-resiste-e-nao-retira.html

(*) Recebido por e-mail.

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publicado às 23:34

Desmitos sobre a "renegociação" do empréstimo a Portugal.

por Faust Von Goethe, em 22.01.13

O alargamento dos prazos de pagamento de Portugal [e Irlanda] (re)negociados ontem na reunião do eurogrupo insere-se no princípio de igualdade de tratamento entre os diversos estados membros-como referiu há tempos atrás o presidente cessante do eurogrupo Jean-Claude Junker.

Alguns pormenores a ter em conta, em especial para os leigos que já ouviram o chavões reestruturação e/ou renegociação [da dívida]:

  • Ao contrário da dívida aos parceiros da troika, a dívida ao FMI não pode ser nem renegociada nem reestruturada
  • A haver uma reestruturação ou renegociação dos prazos/maturidades da dívida, os países membros -como Portugal e Irlanda-ou terão de envolver o "sector oficial" (OSI) via união bancária, e/ou terão de procurar credores privados seguindo os trâmites da iniciativa de Viena 2.0.
  • A actual estratégia delineada pelo Eurogrupo já está a preparar terreno para que, num futuro próximo, os países que necessitem de assistência financeira deixem de pedir ajuda ao FMI e passem a pedir directamente ao FEEF (Fundo Europeu de Estabilidade Financeira) e/ou ao futuro MEEF (Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira).
  • A ida antecipada de Portugal aos mercados é em grande parte motivada pelas razões que supramencionei acima.

 

Bom, agora que já estamos prestes a regressar aos mercados talvez não fosse má ideia ponderar seriamente fazer um "corte de cabelo".

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publicado às 14:54

Tio Patinhas seria melhor...Miguel Sousa Tavares

por John Wolf, em 22.01.13

 

Miguel Sousa Tavares afirma que até as sondagens dariam a vitória ao Pato Donald. Acho que seria preferível o Tio Patinhas? Ele tem a reputação de ser um gestor brilhante, que conta cada cêntimo...

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publicado às 13:55

A propósito do ano do Brasil em Portugal e do ano de Portugal no Brasil.

por Faust Von Goethe, em 21.01.13

 

Portugal seria hoje um país bem diferente-para melhor- se em vez de Portugal se chamasse Bratugal e se tivesse deslocalizado, em tempos, a capital de Lisboa para Rio de Janeiro, cidade que fica aproximadamente à mesma longitude de Luanda e Joanesburgo. Tenho dito.

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publicado às 01:11

Equipamento oficial da Conferência da Reforma do Estado

por John Wolf, em 16.01.13

 

Este era o equipamento que a organização da conferência dedicada à Reforma do Estado quis fornecer aos jornalistas, mas segundo consta, o material encomendado encontra-se esgotado na China.

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publicado às 14:09

Uma outra Pepa...com sal!

por John Wolf, em 12.01.13

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publicado às 21:17

Fazer contas à vida-Finjamos que não lemos o relatório do FMI!

por Faust Von Goethe, em 10.01.13

Suponhamos que somos gerentes de um estabelecimento comercial que tem uma dívida de 43800 euros aos vários fornecedores. Descontando as despesas que temos mensalmente com os nossos funcionários, assumamos que o lucro anual ronda os 36500 euros.

Como estamos empenhados em cumprir com os nossos compromissos, de forma a garantir que os nossos fornecedores nos continuem a fornecer, decidimos pagar parte da dívida anexada aos lucros diários, dando uma média de 100 euros de lucro/dia para abater aos 120 euros/dia em dívida. Isto é, a dívida que temos com os nossos fornecedores é cerca de 120% do lucro que produzimos, isto é, mesmo cumprindo com os fornecedores, ficamos com 7300 euros de dívida a juntar à dívida que vamos pagar durante o próximo ano.

Assumindo que no próximo ano, os nossos lucros se manterão constantes, teremos de abater uma dívida de  51100 euros (43800 deste ano + 7300 euros em dívida do ano transacto) face aos 36500 euros de lucro, teremos de pagar aos nossos fornecedores não 120 euros/dia mas 140 euros/dia. Em termos percentuais, a dívida que temos com os nossos fornecedores passará dos 120% para os 140%-40 euros/dia de dívida acumulada.

Para evitar esta espiral de dívida, uma solução que nós, gerentes, faríamos passaria ou por despedir pelo menos um funcionário, ou por reduzir o salário a todos os funcionários do estabelecimento.

E se agora tentássemos transladar a realidade deste [nosso] estabelecimento comercial para a realidade portuguesa, cuja dívida ronda os 120% da riqueza produzida a.k.a PIB? Funcionaria? 
Pelos vistos não, pois esta tem sido a política a que os nossos credores nos obrigam desde que aterraram na Portela em Maio 2011. 

 

(continua ...)

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publicado às 19:58

Recapitalização do Banif é um mero jogo de Poker.

por Faust Von Goethe, em 07.01.13

O dinheiro entra por um lado, sai por outro, volta à casa e o Banif é salvo

 

Acrescento algumas observações à explicação lógica e sucinta de Maria Teixeira Alves em Corta-Fitas:

  • o processo de recapitalização do Banif não passa de um mero jogo de Poker por parte do estado que, ao entrar no capital do Banif "compra a sua própria dívida".
  • Não obstante de não haver qualquer prejuízo para o Banif,  clientes e estado, o acesso ao crédito será porventura escasso pois ao comprar dívida pública para garantir os colaterais junto do BCE, tornar-se-à mais dificilmente conseguirá refinanciar-se através de empréstimos interbancários nos mercados. Ou seja, há probabilidades de o estado ter de voltar a "amolfadar" o Banif, caso seja necessário. 

Em suma, é bom que o Banif "ajude" Portugal a regressar mercados já este ano. Aí sim, poderemos dizer que foi um bom negócio para o estado, que pode continuar a lucrar com as desgraças do Banif-até 2017 (?!)-, à medida que vai baixando a sua dívida pública.

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publicado às 14:12

40 anos de Expresso, estações e passageiros

por John Wolf, em 07.01.13



Enquanto escutamos o Durão Barroso, em directo, do CCB a propósito dos 40 anos do Expresso. À época o menino pertencia ao MRPP. Como é aquele provérbio Português? Mudam-se os tempos...

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publicado às 10:50

2012-O Caleidoscópio da Crise.

por Faust Von Goethe, em 30.12.12

Chegados ao final do ano civil, há que fazer um pequeno balanço sobre a crise do euro-só para não lhe chamar algo pior.

Findado que está este ano, penso que estaremos todos de acordo num ponto fulcral. Governantes e políticos, da direita à esquerda, comentadores e até economistas encartados, recorrem às decisões do tribunal constitucional para suportar ou para criticar as decisões fracturantes dos governos em exercício de funções. Foi assim em Portugal, quando o tribunal constitucional chumbou categoricamente a suspensão dos subsídios de férias; foi assim há dias quando o tribunal constitucional chumbou a taxação de impostos aos mais ricos. Na Alemanha, embora Merkel tenha sido no último ano implacável e irredutível na gestão da crise do euro, não ousou em desafiar o tribunal constitucional alemão. Aliás, só avançou para a criação do fundo de resgate a nível europeu a.k.a. FEEF (Fundo Europeu de Estabilidade Financeira) após a aprovação por parte do tribunal constitucional [alemão].

Embora a Europa viva actualmente um clima de aperto, onde os cidadãos europeus começam a reagir aos poucos, como um todo orgânico-ao ponto de se começarem a interessar vivamente pelo que estava a acontecer nos outros seus países-e embora 2012 tenha sido um ano marcado pela governação tecnocrática, as recentes eleições na europa provaram que a democracia, embora debilitada, ainda funciona. Foi assim na França, onde os franceses não perdoaram o facto de Sarko ter cedido aos caprichos de Merkel. Foi assim na Grécia, um país à beira da ingovernabilidade onde coabita um partido nazi em plena ascenção. E foi também assim em Itália, onde Monti-um verdadeiro tecnocrata no verdadeiro sentido da palavra- não conseguindo levar à avante a sua agenda política, acabou por se demitir, após a aprovação do orçamento de estado para 2013.

Deste ano de 2012 que amanhã finda às 12 badaladas, podemos extrair duas lições sucintas:

  • A carência e o desespero não são bons conselheiros;
  •  Os economistas que aconselham banqueiros e políticos não podem ignorar que acima deles existe um poder, que embora que não seja divino, está acima deles-o poder dos tribunais constitucionais.

No próximo ano será Itália que fará a Europa mexer. Ninguém sabe ainda o que fazer, tendo na mira um eventual regresso de Berlusconi e tendo um Monti que, embora enfraquecido, persiste em levar avante uma agenda austera e reformista. A janela que o liberalismo entreabriu no século XIX para a fomentação da democracia através do exercício parlamentar pode, em pleno século XXI, voltar a fechar-se caso os juízes alinhados politicamente ou dissidentes, usem o tribunal constitucional como panteão da democracia.

Para felicidade de alguns mas para a infelicidade de outros, 2013 será seguramente o ano da democracia constitucional. Em Portugal, embora a justiça esteja aparentemente estabilizada, ainda não encontrou as respostas adequadas e céleres para responder à crise da democracia.

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publicado às 19:36

Zorrinho e o obscurantismo

por John Wolf, em 27.12.12

 

Zorrinho afirma que privatização da ANA foi feita de forma obscura.

 

 

Talvez possa explicar como um verdadeiro especialista o que isso significa.

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publicado às 18:26

Portugal e a fragilidade de Taleb

por John Wolf, em 19.12.12

 

Não se sabe, se Nassim Nicholas Taleb é uma mente brilhante, ou tem uma. O autor do livro - the Black Swan  (Penguin, 2007) é um destacado académico. Um professor da disciplina de incerteza. Uma condição transversal ao homem seja qual fôr a sua arte ou ciência. Nessa obra que partilha o seu título com um filme que nada tem a ver com o assunto, Taleb descreve um "território" onde ocorrências não previstas se desenrolam de um modo intenso, expressivo. Um pouco à laia da normalidade afectada pelo imprevisto de um Shit happensTrata-se de "comportamentos", que por não terem sido inscritos de todo num calendário de possibilidades, acabam por ter efeitos ainda mais intensos quando "decidem" irromper em distintos quadros de relativa acalmia. É um reino de ocorrências a que Taleb deu o nome de Extremistão, localizado para além de várias curvas e contra-curvas. Por exemplo, a curva de Gauss ou a curva de Bell. Isto a propósito da política e o estabelecimento de cenários e previsões. Este governo (o de Passos e companhia) atira para o ar certezas que estão longe disso. Estes senhores, que não roçam os pés de Taleb, põe-se por aí a especular, a mandar postas a torto e a direito como se as consequências fossem as perdas de um mero jogo de tabuleiro, uma versão adulterada do monopólio. Mas não. Estão em jogo vidas e mortes humanas, indivíduos utilizados como joguetes numa paródia de tentativas e erros. Mais erros que certezas. Há tantas variáveis que podem desequilibrar ainda mais o estado da nação. Querem alguns exemplos de externalidades? O Chipre, dividido pela Grécia e a Turquia, esquecido pela elite Europeia, está mais perto de deflagrar em bancarrota económica e financeira do que se julga, enquanto as baterias estão viradas a um outro sol, a um sul distinto, Grego, Italiano e Espanhol. O Médio Oriente, aparentemente estabilizado, mas que efectivamente é um barril de pólvora com rastilhos na Síria, no Egipto, entre outros actores regionais. A Coreia do Norte que tem vindo a produzir encenações que podem muito bem ser ensaios para outras estreias. Poderia continuar e oferecer ainda mais exemplos, mas penso que é mais que suficiente para demonstrar a fragilidade das convicções dos governantes que julgam que têm as rédeas do poder, que julgam que fazem a realidade. A palavra chave da última frase é precisamente a mais ténue desse encadeado - fragilidade -, e novamente Taleb volta à baila com mais um conjunto de reflexões sobre os processos de decisão do homem. O seu novo livro - Antifragile: things that gain from disorder baralha os pressupostos que nos guiam. Taleb descreve como os erros de dimensão assinalável acabam por ter um efeito compensador pela forma como se busca um modelo para evitar novos descalabros de proporções inaceitáveis. Os pequenos erros, por passarem despercebidos, não servem para despoletar revisões profundas dos paradigmas subjacentes. É necessário que grandes desastres ocorram para que se procure a substituição total do sistema em vigor. No limite, Taleb afirma que o massácre de Newtown nos EUA irá salvar vidas futuras por exigir uma correcção irredutível, ou tendencialmente radical. Mas regressemos a Portugal e tentemos relacionar esta linha de raciocínio com o que se está a passar com as decisões executivas do governo. Se o país prosseguir o caminho da Austeridade irá provocar um evento extremo, a ruína irrecuperável que em última instância obrigará à procura de um modelo de substituição completo. Ou seja, este governo e o próprio conceito de governação encontram-se na via de auto-destruição, arrastando consigo o corpo que deixou de os sustentar. O erro crasso do governo é algo de dimensão assinalável. É algo muito maior que fazer despenhar todos os aviões da TAP em simultâneo, algo maior que a venda de todos os estaleiros a preço de saldo. O que está em causa é uma opção nuclear que ataca o âmago de uma nação, que corroi a esperança e torna ainda mais frágil a nossa condição. Frágil.

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publicado às 17:36

O fruto proibido do Ano Novo.

por John Wolf, em 16.12.12

12 Passos de Natal. Não engula. Cuspa.

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publicado às 17:28

Berlusconi, não lhes dê ideias!!!

por John Wolf, em 07.12.12

Só tenho uma coisa a dizer: Berlusconi, não voltes. Sílvio, não lhes dês ideias. Quando todos julgavam que o bunga-boss estava arrumado, eis que nos supreende com a "ameaça" de que será mais uma vez candidato ao governo de Itália. E isto é mau por diversas razões. É péssimo para a Itália e para as italianas, mas também pelo mau exemplo que constitui. Essa grande falta de vergonha política servirá que nem uma luva a outros regressos triunfais. Ao retorno de governantes dados como defuntos, idos. No entanto, convém sublinhar que a condição política não conhece a morte completa e irreversível. Quando em Portugal se esgotarem os Passos e Portas, os Seguros e Almeidas destas andanças, quem irá espreitar por detrás da cortina da memória curta dos Portugueses? Acertaram em cheio. Esse mesmo, sem tirar nem pôr. Sócrates não fica por aqui. Sócrates não vai ficar por lá. O homem há-de escolher o  momento adequado, algures entre um croissant e uma posta de bacalhau. Estejam de sobreaviso e depois não digam que eu não avisei.

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publicado às 11:00

Um Keynes deprimido.

por John Wolf, em 05.12.12

 

Uma depressão Keynesiana.

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publicado às 10:38

Reflexão Bizarra sobre o 1º Dezembro

por Faust Von Goethe, em 01.12.12



Para além da celebração da Restauração da Independência de Portugal-ou o último 1º de Dezembro (?!)- celebraram-se também os 190 anos da coroação de D. Pedro I (D. Pedro IV de Portugal) como Imperador do Brasil.

Após a independência do Brasil face a Portugal, o nome Portugal deixou de fazer sentido para definir a nossa identidade enquanto país, uma vez grande parte das cortes [de Portugal] assim como muitos Portugueses que emigraram para o brasil, optando pela nacionalidade brasileira.

Uma vez que no próximo ano já não iremos celebrar o 1º Dezembro, talvez fosse melhor pensarmos em mudar o nome do país para Bratugal (=Brasil + Portugal). E porquê?

Primeiro, porque deixámos de ter soberania [financeira]. Segundo, porque grande parte da população Portuguesa-tal como há cerca de 200 atrás-decidiu emigrar para países como Brasil, desistindo [literalmente] de Portugal.

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publicado às 21:28

O segredo que não passa de uma mera constatação.

por Faust Von Goethe, em 27.11.12

Não há nada de secreto nem de extraordinário na investigação do Jornal i sobre o eventual documento secreto que Carlos Costa enviou ao executivo. É apenas uma simples constatação do que foi dito ontem por Paul De Grauwe-actual conselheiro económico de Durão Barroso- no decorrer da conferência "Portugal em Mudança".

Resumindo, é bem provável que a redução no investimento por parte dos privados durante o próximo ano assim como outras componentes da despesa agregada anexadas à flutuação das taxas de juro-consequência directa da dívida pública se situar na casa dos 120%- conduzam ao tsunami que advém do 'credit crunch'-o 'crowding-out'.

Espero estar redondamente enganado?!


Leitura Complementar: Política fiscal: Crowding-out ou crowding-in? por Luís Oliveira Martins.



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publicado às 09:39

Memórias da fronteira Franco-Mexicana

por John Wolf, em 25.11.12

Na última viagem que realizei fiquei retido na fronteira Franco-Mexicana. Não tinha os documentos exigidos para transpôr a fronteira e deixei-me ficar. Instalei-me na pensão mais próxima e aguardei o desfecho do processo burocrático. Faltava um visto de turista no meu passaporte caduco. Ao jantar aproveitei para provar as iguarias da região. Mandei vir meia-dose de Soufflé de Pozole, mas antes o garçon de mesa tentou-me com um aperitivo - um Kir Real. Quando chegou a conta, paguei com erros. Agradeci com um semblante indigesto e expliquei de onde vinha. Falei das semelhanças, dos costumes e das particularidades de viver numa zona raiana. É engraçado como o mundo é tão pequeno e como as gentes são tão parecidas. A fronteira Luso-Germânica é famosa pelos seus enchidos e por corridas de touro benzidas a cerveja pelos santos padroeiros. Todos os anos sem falta, claro está - a Festa de Outubro.

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publicado às 15:11

Amolador...ou um conto dedicado à falência.

por John Wolf, em 23.11.12

  

Segue o link para o conto "Amolador" que integra o livro "A Reforma do Palhaço e sete contos" (Edições Cosmos, 2011).  

Amolador

 

 

 

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publicado às 14:52

Balança de Pagamentos

por John Wolf, em 14.11.12

A entrada de Vale e Azevedo em Portugal, e a partida de Isaltino Morais para o Gabão, tem a ver com a necessidade de manter um certo equilíbrio na balança de pagamentos.

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publicado às 21:40

Choné do Banco.

por John Wolf, em 10.11.12

 

 

 

Escutado no eléctrico:

 

"Mas esse choné não era do banco privado?"

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publicado às 21:27

A parca discussão sobre a TSU

por Faust Von Goethe, em 08.11.12



Imagem delitada do blogue Vive as tuas escolhas!


França sobe IVA para descer TSU às empresas

Curioso que a França, uma potência tecnológica, pretende descer os custos salariais. Pretenderão competir na base dos baixos salários? Estarão a ser assessorados por António Borges?

Convenhamos que Passos Coelho foi (seria) bem mais liberal: restringia o financiamento dos “capitalistas” apenas aos respectivos trabalhadores, deixando abertura para negociações ao nível de cada empresa que, no limite, poderiam deixar tudo na mesma. Hollande vai pôr todos os consumidores, trabalhem ou não, a financiarem compulsivamente o “grande capital”.

“Não à TSU, queremos o nosso IVA!” – lema que sugiro desde já para as grandiosas manifestações que certamente se irão realizar por toda a França.

 
LR em Blasfémias.

Este é o típico argumento parco daqueles que defendem as medidas deste governo, ou melhor, de quem faz spinning blogosférico, usando apenas argumentos do tipo "ah, o Hollande [tal como Seguro] é socialista e vai descer o TSU às empresas... " 

Para contrapor com estas afirmações, voltemos a recordar o argumento que se escrevi à semanas neste estabelecimento, quando critiquei um artigo de opinião de Vítor Bento no Diário Económico:

Quem se andou a divertir a estudar a hipótese de uma eventual desvalorização fiscal-como foi o meu caso-sabe que a única hipótese para compensar a subida da TSU aos trabalhadores, passaria por um aumento gradual do IVA. Esta hipótese é de descartar, pois ao contrário do OE 2012, o OE 2013 não prevê um agravamento do IVA do lado da receita.

Resumindo: Enquanto o governo Português esperava compensar a descida da TSU às empresas com o aumento da TSU aos trabalhadores, o governo Francês vai compensar a descida da TSU via subida [gradual] do IVA-usando o argumento defendido por  e  há meses em Project Syndicate.

Acresce que para o caso em que o agravamento do IVA é usado, do lado da receita, para compensar a descida da TSU nas empresas, existe um estudo feito por economistas do FMI-Fiscal devaluation as a cure for Eurozone ills – Could it work?.
Da proposta do governo, apenas se sabe que o governo baseou a sua proposta em modelos empíricos da CE, BCE e FMI assim como as simulações obtidas nunca foram disponibilizadas no site do ministério das finanças para que académicos-como é o meu caso- pudessem avaliar.

Em suma, no caso do governo francês espera-se compensar a descida da TSU [para empresas] via um imposto sobre o consumo (o IVA). No caso do governo português, pretendia-se compensar a descida da TSU [para empresas] via impostos sobre os rendimentos de famílias. 

 

Leitura Complementar: A perigosa ideia de roubar o vizinho por Helena Garrido. 

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publicado às 18:41

Não há palavra mal dita, se não for mal entendida...

por John Wolf, em 08.11.12

 

 

Abriu a época de caça em Portugal. Um festim para canibais, o fogo cruzado entre parentes de um mesmo destino. Insultos que nada subtraem, louvores que pouco acrescentam. O cheiro de palavras anda no ar. Sinais de um fumo exausto, que não sai de cena, da ante-câmara. Enquanto uns são criticados por enunciar, outros são escorraçados por nos fazer rir. Uns são censurados por não marchar e outros por prometerem silêncio - a constrição que acompanha o juramento de uma bandeira rasgada. Quero ver Portugal erguer-se em torno da acção. Mostrar a sua valia, ignorando o ruído que acompanha a encenação. Estou triste por ver Portugal neste estado. Estou angustiado por ver Portugal neste Estado. Para não destruirmos o pouco que resta, faço votos de apenas considerar o excepcional, a obra feita e a que falta realizar. As sobras convertidas em salvo conduto. A passagem para uma margem superior, positiva. Não nos deixemos engolir por esse vórtice, o abismo que nos faz desconfiar de tudo e todos. Que não cheguemos à oração, prostrados - o inimigo não merece essa consideração. 

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publicado às 15:06

A Blasfémia Islandesa

por Faust Von Goethe, em 04.11.12

Desde o dia 7 de Setembro (o dia do discurso “parole” de Passos Coelho) que o país está de cariz baixo e de ombros caídos. Procuram-se soluções, exemplos, refundações sem saber onde estamos e para onde vamos.

O descontentamento “tuga”-de caleidoscopiotuga.blogs.sapo.pt -é global e tem vindo a acentuar-se como mostram os recentes números. Cerca de 11% dos portugueses confia no Parlamento, apenas 6% confia nos bancos e 80% confia em forças policiais.

Tenho de confessar que é tentador bradar-se aos céus que os políticos são os responsáveis pela desacreditação do regime. A imprensa escrita em Portugal, sabendo destes números, inundou páginas de jornais com o suposto “exemplo Islandês”, aludindo ao facto de ter havido uma revisão da constituição via consulta popular.
Por cá há quem se esteja a aproveitar da brecha e tente fazer a discussão/formulação desta em redes sociais e, em alguns casos em grupos fechados o que tem sido, na minha óptica, um tremendo erro pois está-se a condicionar o processo democrático que envolve uma consulta popular. Não podemos partir do pressuposto de que todos os Portugueses têm uma ligação à internet que lhes permita aceder a estes grupos de discussão assim como ler, por exemplo, este meu post.  
Uma vez que não tenho formação na área de jurista para discutir detalhes técnicos que envolvem a formulação/elaboração de uma constituição, vou apenas relatar ao que tenho assistido, como seguidor assíduo de alguns fóruns.
Pelo que verifiquei, existem pessoas que cultivam a utopia de que a substituição de uns artigos e o alinhavar de uns parágrafos estanquem a sangria a que estamos a vir a ser submetidos desde o início do programa de ajustamento económico. A meu entender, tal revisão não resolve o problema de fundo e muito menos vai ao encontro do problema da “refundação” do estado [social], debate esse que o governo delegou aos técnicos do FMI e Banco Mundial, que estão de visita a Portugal.

Revisitemos em breves linhas o caso Islandês. Na Islândia, o grande problema residia na bolha financeira provocada pelo inchar/dilatar da banca-cujo peso chegou a ser [cerca de] 10 vezes superior ao PIB Islandês. Neste caso, a revisão da constituição Islandesa teve como principal objectivo, livrar o povo das dívidas da banca a credores estrangeiros.
O caso Português, a meu ver, é essencialmente estrutural, já vem detrás e resume-se ao slogan “Década Perdida”, como disse em tempos o saudoso Professor Ernâni Lopes. A menos de um problema chamado BPN, ainda não li argumentos sólidos que me provem que uma mudança da constituição no caso Português (ou até mesmo uma “refundação”) seja mais eficiente que a supervisão bancária usando as regras de Basileia, como escreveu Vilma (vimuniz).

Corrijam-me, se estiver enganado.

 

Adenda: Ao contrário da Islândia, Portugal não pode garantir o “estado social” com base em políticas monetárias (p.e. desvalorização cambial) uma vez que os tratados de adesão ao euro não permitem o recurso a este tipo de ferramenta. Resta-nos portanto o recurso à desvalorização salarial (como tem vindo a ser feita) ou às políticas fiscais (como o são as mexidas na TSU e a progressão nos escalões do IRS). 

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publicado às 02:18

O(s) dilema(s) da Zona Euro

por Faust Von Goethe, em 02.11.12

 

O problema da zona euro não é de agora.  Já vem de 2001, por altura da adesão da China à Organização Mundial do Comércio.

Com esta abertura do comércio a nível global-ao qual se juntou recentemente a Rússia-abriu as portas a um descontrolo a nível global sem precedentes na história.

O resultado desta desregulação está à vista. O facto de países como a China competirem com o resto do mundo em termos de mão de obra, materiais e ajudas do estado contribuiram para a deslocalização de empresas de países europeus, causa essa que explica em grande parte os valores alarmantes de desemprego na zona euro.

Engane-se portanto quem disser que a crise da zona euro não belisca em nada o governo de Berlim. Muito pelo contrário. Mas resolver parte do problema implica uma mudança de profunda do paradigma por parte da [economia] Alemã, que para além de ser a economia mais competitiva dentro da zona euro, é aquela que tem um maior número de relações comerciais com a China. 
Acresce que, ao contrário do que se noticia em grande parte da imprensa, a banca alemã está profundamente debilitada, por ter emprestado dinheiro a países como Espanha antes do estalar da crise dos subprimes. Esta última "crise" veio apenas contribuir para que este problema se agravasse em larga escala.

Todos sabiam portanto que havia sérios riscos de falência a nível global. Só não sabiam o quanto essa falência poderia por em causa o “estado social”.  Esta é uma entre várias razões porque a Alemanha nunca irá aceitar fazer parte de reestruturações de dívidas a países intervencionados como Portugal e Grécia mas estará disponível para recapitalizar, se necessário, a banca Irlandesa [e até mesmo a banca espanhola]. Eventuais perdões de dívida poderiam conduzir a uma falência de todos os bancos centrais a nível europeu.
O dilema alemão é no fundo o dilema de todos os países da zona euro. E este dilema passa por decidir se estamos dispostos para pagar o preço da ganância, movido em grande parte por hedgefunds e pelo desperdício de recursos da banca europeia para subsidiar a criação de filiais de grandes empresas europeias em países fora da Europa.   

De nada nos vale dizer que o problema é apenas de quem nos governa actualmente. Se fizermos um flashback de 20 anos-altura em que foi assinado o tratado de Maastrich- chegamos à conclusão de que se a nível europeu as coisas tivessem sido encaminhadas numa outra direcção, provavelmente nunca teríamos chegado a este ponto. Mas isso agora é o que menos interessa.
Só há portanto uma via. E essa via passa por se resolver em conjunto este problema. Para isso, políticos, banqueiros e afins terão de assumir as culpas e tentar resolver os problemas no seio da união monetária. O primeiro passo de uma longa caminhada será dado com o início da união bancária.


Adenda: A saída dos periféricos da zona euro custará, em média, 21000 euros a cada alemão. E na situação actual, eles terão [mesmo] de se esforçar. Caso contrário, os fundos de pensão da banca e outras prestações sociais usadas para pagar pensionistas abastados, teria de ser usada. E lá se iria o "estado social" alemão...

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publicado às 21:24

Portugal e o tabu dos comes e bebes...

por John Wolf, em 02.11.12

  

Sou um voyeur de insignificâncias. Mas tudo somado pode ser que seja uma pechincha. Consumo pequenas observações e vejo repetidamente o mesmo filme. Durante anos a fio ninguém contou os trocos dos cafézinhos. A bica para acordar mesmo antes de pegar o serviço, o cafezinho a meio da manhã num intervalo inventado entre duas partes laborais inexistentes, o café antes do almoço e já agora que estou na rua (epá o relógio já marca uma hora!), vou mas é encher o bucho e venha de lá mais um café... com a conta por favor. Pois. Há qualquer coisa que não bate certo. Com o caneco - é loiça a mais. Ora façamos contas por baixo, para não dizerem que exagero, que sou bom economista. São 3 cafés diários. De acordo? 3 vezes €0.50 (cinquenta cêntimos...estou novamente a nivelar por baixo) o que perfaz uma diária de €1,50 (um euro e meio). Um ano de cafeína 365 vezes €1,50 = €547.5 (quinhentos e quarenta e sete euros e cinquenta cêntimos). Agora juntem um maço de tabaco por semana. (um maço de tabaco por semana? esse gajo está doido...fumo muito menos!). Vou fixar o preço do maço de Mauboro nos €3,50 (três euros e cinquenta cêntimos). Ora quantas semanas são? 52? É isso. 52 vezes €3,50 = €182 (cento e oitenta e dois euros). Ok. Já estamos a falar de dinheiro. De graveto de verdade. Tudo somado dá uma renda e meia, um salário. Face a esta constatação restará encontrar um regime alternativo. A cafeteira de escritório comparticipada (ou não) pelo trabalhador em regime de parceria privada-privada. Mas ainda não falei de outro tabu. Porque razão os Portugueses ainda têm vergonha do saco da merenda trazido de casa? Porque razão não vemos a sande caseira retirada da mala onde também está o Ipad? Nos outros países os executivos sentam-se no passeio, na entrada da sede e mordiscam a bifana sem pudor. Por vezes a gravata fica com nódoas que nunca mais saiem. Que chatice. Mas esse é o preço a pagar.

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publicado às 12:05

Uma parte apenas do problema...

por John Wolf, em 31.10.12

 

Gostaria de saber se existe uma dimensão da sociedade Portuguesa totalmente virgem e impoluta, com as mãos limpas, que não praticou o jogo das amizades e favores, das trocas e baldrocas. Começo a ficar farto dos intelectuais e artistas (opinion makers, comentadores, jornalistas, editores, académicos e escritores, entre outros) que batem que se farta nos "outros" (como se existissem os outros!), mas que esquecem que fazem parte do sistema, que nasceram a partir dessa matriz de poder, e que são parte do problema - farinha do mesmíssimo saco. Se é para desconfiar de tudo e limpar a casa, então que nenhuma divisão fique esquecida. O conceito de "intocável" não pode servir os intelectuais. Eles não pensam...eles não pensam por nós. Diria que com o andar da carruagem e com tantos fantasmas a sair dos armários, estão com medo, apavorados. Aposto que em breve os podres serão descobertos, destapados com a mesma vulgaridade com que se deseja "sanitizar" os meandros da economia e das finanças. A revolução tem de ser justa e abrangente, repartida irmãmente pela rapaziada. Para que se possa recomeçar sem vestígios da patologia. Da doença que não escolhe as vítimas.

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publicado às 13:19

Jesus Continues

por John Wolf, em 25.10.12

 

JESUS CONTINUES


Tradução directa de "Jesus vai continuar"; autocolante apropriado para pára-choques de viatura no seguimento das eleições para a presidência de um clube de futebol.

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publicado às 22:09




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