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Coragem e respeito

por Antero Neves, em 01.12.12

Encostado à porta da cozinha de minha casa, mais ou menos confortável, discutia com a minha família as taxas, impostos e afins que este governo vai atirando para cima dos portugueses e foi encostado que me apercebi que o meu pai estava encostado à chaminé, a minha mãe encostada ao fogão e a minha esposa encostada ao armário e que todos encostados criticávamos, defendíamos, atacávamos, idealizávamos... encostados. Nesse momento tive vontade de sair dali e terminar a minha participação na discussão, não por estar farto dela ou de quem nela também participava mas por vergonha, a vergonha de estar a criticar, a defender, a atacar, a idealizar sem ter coragem de fazer alguma coisa... e não há desculpa para esta falta de coragem, facto que só vem agravar o meu sentimento de vergonha: não há desculpa.

Depois deste episódio fiquei mais atento a todos, e a vergonha individual que sentia passei a senti-la por muita gente.

Senti-a por aqueles que nunca tendo feito nada na vida criticam técnicos que queimaram/queimam as pestanas todos os dias para fazer alguma coisa, senti-a por aqueles que se queixam no facebook da falta de dinheiro através do seu Iphone 5 e senti-a por aqueles que vomitam as ideias que lhes puseram no prato e acabaram mal digeridas sem respostas ao quem, quando, como, onde, o quê e porquê.

Compreendo os que tendo o coração na boca dizem tudo o que lhes vai na alma mas o insulto não ganha o respeito daqueles que vos ouvem, pelo menos o meu não o levam, e se as coisas estão assim tão mal, tenham coragem de reconhecer que até fazerem tudo ao vosso alcance para as melhorar, não fizeram nada. E tudo é muita, mesmo muita coisa! Porque há aqueles que por irem a uma manif. ou fazerem uma greve pensam que são os salvadores do país... para mim manifestações (tirando as de alegria e afecto) e greves são formas preguiçosas de disfarçar a acção.

Penso que depois daquele episódio que descrevi acima, o meu cérebro se transformou numa espécie de fluído não-newtoniano em que acções drásticas, ideias radicais, pressões estúpidas e insultos deixaram de penetrar, e apenas aqueles que demonstram envolvimento sincero e total na acção o conseguem invadir.

Julgo que fiquei melhor.

Querem o meu respeito? Mostrem-me a vossa coragem.

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publicado às 16:26

Portugal e o tabu dos comes e bebes...

por John Wolf, em 02.11.12

  

Sou um voyeur de insignificâncias. Mas tudo somado pode ser que seja uma pechincha. Consumo pequenas observações e vejo repetidamente o mesmo filme. Durante anos a fio ninguém contou os trocos dos cafézinhos. A bica para acordar mesmo antes de pegar o serviço, o cafezinho a meio da manhã num intervalo inventado entre duas partes laborais inexistentes, o café antes do almoço e já agora que estou na rua (epá o relógio já marca uma hora!), vou mas é encher o bucho e venha de lá mais um café... com a conta por favor. Pois. Há qualquer coisa que não bate certo. Com o caneco - é loiça a mais. Ora façamos contas por baixo, para não dizerem que exagero, que sou bom economista. São 3 cafés diários. De acordo? 3 vezes €0.50 (cinquenta cêntimos...estou novamente a nivelar por baixo) o que perfaz uma diária de €1,50 (um euro e meio). Um ano de cafeína 365 vezes €1,50 = €547.5 (quinhentos e quarenta e sete euros e cinquenta cêntimos). Agora juntem um maço de tabaco por semana. (um maço de tabaco por semana? esse gajo está doido...fumo muito menos!). Vou fixar o preço do maço de Mauboro nos €3,50 (três euros e cinquenta cêntimos). Ora quantas semanas são? 52? É isso. 52 vezes €3,50 = €182 (cento e oitenta e dois euros). Ok. Já estamos a falar de dinheiro. De graveto de verdade. Tudo somado dá uma renda e meia, um salário. Face a esta constatação restará encontrar um regime alternativo. A cafeteira de escritório comparticipada (ou não) pelo trabalhador em regime de parceria privada-privada. Mas ainda não falei de outro tabu. Porque razão os Portugueses ainda têm vergonha do saco da merenda trazido de casa? Porque razão não vemos a sande caseira retirada da mala onde também está o Ipad? Nos outros países os executivos sentam-se no passeio, na entrada da sede e mordiscam a bifana sem pudor. Por vezes a gravata fica com nódoas que nunca mais saiem. Que chatice. Mas esse é o preço a pagar.

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publicado às 12:05

A falta de vergonha na cara

por Carlos Roberto, em 16.10.12

Vivemos num período de crise onde dizem que a classe média está a desaparecer, eu já oiço isto há anos como se fossem os coitadinhos mas que ninguém tem culpa que se tenham endividado com créditos para viverem o sonho de serem ricos. Ontem estava a ouvir o meu irmão que é vendedor da Meo e ele dizia "as pessoas quando fazemos uma coisa cada vez mais querem uma contrapartida mesmo que essa não exista", eu chamo a isso pedinchar mas é o que vemos cada vez mais ou seja pessoas que perderam a vergonha de fazer tudo o que está ao seu alcance para atingir os seus objectivos. "Ah eu queria saber o que me você me pode dar se eu assinar o serviço" e o meu irmão saturado dessa hipocrisia diz "olhe para o panfleto são essas as promoções não lhe posso dar mais", mas se formos a ver não é só com o meu irmão que isso acontece dá a impressão que é generalizado  ... especialmente quando se perde a dignidade e tudo o que liga as pessoas aos valores.
Eu de certa forma comparo a altura actual quando 1 milhão de portugueses vieram das ex-colónias para Portugal, muitos ficaram sem nada, sem emprego, a viverem em condições que hoje consideramos deploráveis mas que vemos que estão a voltar ... tipo o caso da minha família toda viver num quarto da casa dos meus avós. Para quem foi retornado ou chamado assim o que vivemos é mais do mesmo, agora para quem teve uma vida sem problemas custa mais. Como o meu pai dizia "o que custa mais não é subir de classe social mas sim descer".

 

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publicado às 18:00




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