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Como Sair da Insolvência?

por Faust Von Goethe, em 15.01.13

Os bancos ficam insolventes a partir do momento que deixam de ter a quem emprestar dinheiro. Um estado fica insolvente a partir do momento que deixa de ter dinheiro para pagar as suas dívidas.

É neste ciclo vicioso que nos encontramos desde a crise dos Subprimes (2006), onde houve uma insolvência de instituições de crédito nos Estados Unidos que concediam créditos associados a hipotecas de alto risco, arrastando vários bancos para uma situação de falência entre os quais o Lehman Brothers em Setembro 2008. Na semana passada, o banco Franco-Belga Dexia esteve quase a seguir as mesmas pisadas do Lehman Brothers.

Para fazer face à insolvência dos bancos, vários estados decidiram emprestar dinheiro aos bancos para estes emprestarem mais às pessoas em vez de emprestarem às pessoas para estas pagarem aos bancos. Teoricamente, esta solução adoptada de forma massiva na União Europeia teve o efeito perverso e porquê? Porque a saída da insolvência dos bancos passa essencialmente por encontrar pessoas que possam vir a emprestar dinheiro a outras pessoas, ou seja, cada credor funcionaria como um activo do banco. Desta forma cada pessoa teria a possibilidade de reduzir o seu endividamento e de se tornar num futuro credor, em vez de se ter aumentado o seu nível de endividamento do estado.

Mas um estado somos nós, que contribuímos com os nossos impostos, deveres e obrigações cívicas. E dado estarmo-nos a aproximar de um abismo onde nem bancos nem estado têm dinheiro para funcionar, vai ser preciso o nosso contributo cívico para se resolver o problema. E como podemos contribuir? Diria que de várias formas, entre as quais com a não fuga aos depósitos nos nossos bancos, mesmo que eles já não confiem em nós. Caso contrário, estes vir-se-ão obrigados a fechar, ficando com o pouco que ainda nos resta.

Costuma-se dizer que dinheiro apenas gera dinheiro. No entanto o conhecimento pode gerar para além de dinheiro, inovação e mais conhecimento. É em situações de crise em que os activos dos bancos escasseiam, que os activos das pessoas deverão ser usados como créditos: Estes activos são as nossas ideias e valores. Só elas permitirão o nosso estado e os nossos bancos saiam da insolvência.

 

Escrito em Outubro 2011. publicado aqui.


(continua...)

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publicado às 10:18

Se 2+2=5, então Vítor Gaspar é Carlos Lopes, o maratonista.

por Faust Von Goethe, em 27.10.12

Hoje vou-vos dar um pequeno exemplo para ilustrar o raciocínio matemático em termos lógicos.

 Como escreveu Balhau no seu post “Anarco capitalismo...“, a matemática é regida por tautologias, axiomas e proposições (ou teoremas). Tendo como mote as recentes jornadas parlamentares do PSD/CDS-PP, em que Vítor Gaspar deu como exemplo, a maratona, lembrei-me de conjecturar a seguinte proposição:

Se 2+2=5, então Vítor Gaspar é Carlos Lopes, o maratonista.

 

 

Embora na realidade, a igualdade “2+2=5” seja sempre falsa, a proposição acima pode ser considerada como verdadeira. A explicação [lógico-matemática] é muito simples:

  • Se assumirmos que “2+2=5”, ao subtrairmos 2 unidades em ambos os membros da igualdade “A=B” (A=2+2; B=5), obtemos “2=3” pois “2+2-2=2” e “5-2=3”.
  • Se à igualdade “2=3”, subtrairmos 1 unidade em ambos os membros da igualdade, obtemos “1=2” pois "2-1=1" e "3-1=2".
  • Se “1=2”, então porque a igualdade (=) é uma relação de equivalência, também é verdade que “2=1”.
  • Ora Vítor Gaspar e [o ex-maratonista] Carlos Lopes são 2 [pessoas] e “2=1”, logo Vítor Gaspar e Carlos Lopes são 1 [e 1 só pessoa].

Convencidos?


Adenda: Concordo com a “Proposição” de Vítor Gaspar [de ontem] nas jornadas parlamentares PSD/CDS-PP, quando ele afirmou:


“O nosso grande desafio é mostrar em Portugal o que é possível, quais são as funções do Estado que são prioritárias, quais as funções do Estado financiáveis, qual o custo que está associado a essas funções do Estado”

 

No entanto, tal como o leitor é livre de colocar em causa a validade da igualdade “2+2=5” na proposição acima, eu sou livre de colocar em causa alguns dos cálculos inclusos neste Orçamento de Estado para 2013, que vão muito para além do erro na questão dos multiplicadores de austeridade.
Falo-vos por exemplo da subvalorização [em excesso] do preço do barril de Brent assim como não se ter feito qualquer correlação entre as oscilações do preço do Brent e a procura de metais preciosos, como activos de último recurso [em período de deflação].
Uma melhor precisão de cálculo poderia poupar p.e. aos consumidores um aumento mais suave nas tarifas energéticas a praticar pela EDP (p.e. o imposto cobrado pela EDP para produção de energias renováveis).

Em suma, é função do estado p.e. assegurar que empresas como a EDP não usurpem dinheiro, em demasia, aos consumidores. Faz parte do seu poder regulador.

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publicado às 18:13




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