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Ultimamente tenho andado com a vista cansada. Deve ser das lunetas...
A boa notícia que posso dar é que os alertas de Rogoff assim como os alertas do Clube de Roma (desaparecimento de 5 biliões de habitantes do planeta terra em 2030) estão [quase] certas. A má notícia é que, para resolvermos grande parte da crise global, vamos ter de voltar aos bancos de escola para estudar ecologia e termodinâmica. E se me permitem, teremos de voltar a estudar autores como Charles Darwin e Karl Marx (que ao contrário do que a história veio profanar, em nada tem a ver com o Estalinismo).
Para os eventuais interessados, informo que disponibilizarei os slides (em formato PDF) da minha palestra para consulta assim que o evento seja noticiado pela imprensa regional de Alcobaça/Nazaré na próxima 5ª feira.
No artigo "parar para pensar" publicado [hoje] no Diário Económico, o conselheiro de estado Vítor Bento tentou levantar um pouco mais de poeira em torno das mexidas na TSU (desvalorização fiscal), das quais destaco as seguintes permissas:
"Valia a pena discutir a descida da TSU, sem compensação, ou com uma compensação muito parcial. Isso abriria um buraco orçamental, mas se se acreditar que a acção impulsiona a economia, o seu resultado acabará por tapar o buraco ao fim de algum tempo(...)
É claro que isso precisa de mais financiamento e mais dívida, tornando mais difícil a sustentabilidade financeira. Mas esta também não se consegue com o desemprego a caminho dos 20%"
Quem se andou a divertir a estudar a hipótese de uma eventual desvalorização fiscal-como foi o meu caso-sabe que a única hipótese para compensar a subida da TSU aos trabalhadores, passaria por um aumento gradual do IVA. Esta hipótese é de descartar, pois ao contrário do OE 2012, o OE 2013 não prevê um agravamento do IVA do lado da receita.
Vítor Bento, mesmo sabendo que a dívida pública da República Portuguesa ronda os 120% do PIB, insiste na hipótese de nos endividarmos ainda mais, isto é, aumentarmos ainda mais, em percentagem do PIB, a nossa dívida pública como forma de compensar a descida da TSU às empresas.
Depois de ler o que Vítor Bento escreveu, apetecia-me perguntar-lhe o seguinte:
"Será que o senhor (Vítor Bento) conhece o(s) estudo(s) empírico(s) de Carmen M. Reinhart e Kenneth S. Rogoff , que atestam de forma empírica a máxima "Too Much Debt Means the Economy Can’t Grow"?
Leituras Complementares:
#1 Fiscal devaluation as a cure for Eurozone ills – Could it work?
#2 Um orçamento que não se pode executar