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Ultimamente tenho andado com a vista cansada. Deve ser das lunetas...
Por Eduardo Dantas no seu blog pessoal:
(...)
Em relação à privatização da água, o problema coloca-se mais no envolvimento do sector privado na gestão dos serviços de abastecimento de água, do que na propriedade, por parte do sector privado, de títulos de utilização dos recursos hídricos – que permitem a sua venda – ou envolvimento deste no financiamento de infra-estruturas e serviços. Tem sido a privatização dos serviços de abastecimento de água – com um rol de casos, espalhados pelo mundo, que poucos benefícios trazem para o consumidor final – que mais controvérsia tem gerado. Até 1980 - com excepção da França e de alguns fornecedores privados em Espanha e Grã-Bretanha - o sector da água era detido e gerido por entidades públicas. Aliás, ainda hoje, cerca de 70% do europeus bebem água distribuída por operadores públicos ou, maioritariamente, públicos. Ora, com um mercado potencial tão vasto, é compreensível o apetite dos privados.(...)
Maria Luís Albuquerque, Secretária de Estado do Tesouro. Para os leigos, a mediadora [principal] do governo em todo este processo.
Lendo nas entrelinhas as declarações de Maria Luís Albuquerque, não encontrei, ao contrário dos actores principais da cena política, qualquer ambiguidade no adiamento da privatização da TAP. Segundo o que se pode inferir pelas declarações da secretária de estado, pretendeu-se assegurar com o processo imediato de privatização, que Efromovich assegurasse, como colateral, [todo] o passivo da TAP.
Como não o fez, a secretária de estado do tesouro activou o plano contingência-adiar a privatização da TAP, assegurando via a Parpública o refinanciamento da dívida da companhia.
Tendo em conta que grande parte da injecção de dinheiro da Parpública será assumido como colateral pela banca comercial, num máximo que poderá ir até aos 90 milhões euros, resta-nos fazer figas para que tenhamos um regresso auspicioso [da banca] aos mercados financeiros, já em 2013 (ano em que também está prevista a extinção da Parpública). E que a privatização da ANA corra bem, ou menos mal.
Como se diz na gíria, "o que tem de ser tem muita força". Infelizmente para o estado Português que tem de abdicar-pressionado-de alguns dos seus anéis. Infelizmente para nós, Portugueses, que temos o péssimo hábito de criar laços umbilicais com bens materiais que são nossos, mas na verdade não o são nem nunca o serão, por não termos capacidade financeira para os manter?!
Os números que aparecem nos jornais valem o que valem. Os rumores que circulam na blogosfera e redes sociais, muito menos, pois não são sujeitos a controlo editorial. De qualquer modo, cá vai:
Hoje o Diário Económico noticia que "Estado injecta 100 milhões para salvar na tesouraria da TAP". A primeira pergunta que o leitor curioso deve fazer é de onde virá esse dinheiro.
Para a pergunta do leitor curioso, a resposta é-segundo uma fonte oficiosa-"via transferência fundos e empréstimos previstos para a implementação da bitola europeia."
Digamos que este é o fundo financiamento oculto para a privatização da TAP. Resta saber se estes mesmos fundos provenientes de:
irão também servir para colmatar a subvalorizada proposta de Efromovich, a ser discutida em Conselho de Ministros (à hora que escrevo), assim como para lhe pagar os dividendos [num futuro não muito longínquo]?
Fica a dúvida!
Piadas com tios e tias de Cascais à parte, convém relembrar que Portugal, embora percursor da globalização através da epopeia dos descobrimentos, nunca teve depois disso um papel determinante na edificação europeia desde a criação da UE (ex-CEE). Nada a acrescentar portanto, a menos que o eventual vídeo pretenda relembrar que, tal como os nazis, nós também corremos com os judeus-os jesuítas-de Portugal, uns bons séculos antes. Os mesmos de quem Adolf se quis livrar uns séculos depois quando invadiu Bélgica e Países Baixos.